Série: 5 filmes – Woody Allen

Dono de vasta filmografia, vencedor de 4 Oscar, 2 Globo de Ouro e outros tantos prêmios, Woddy Allen é um diretor e roteirista controverso. Eu estou no time dos que amam, mas nunca incondicionalmente. A frequência de lançamento de seus filmes – em média um por ano – talvez seja produtiva para o diretor, mas acaba prejudicando a qualidade do todo.

Peguemos por exemplo os últimos dois filmes de Allen: Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) e Para Roma, com Amor (To Rome with Love, 2012). Há semelhanças – ambos se passam na Europa, em cidades capitais e historicamente importantes; o gênero nos dois é a comédia -, mas enquanto o primeiro é uma bem-sucedida homenagem aos anos 1920 e à produção artística dessa época, e à própria Paris, seus habitantes, costumes e cenários, o segundo é uma fracassada tentativa de contar diversas histórias – imitando mais ou menos a estrutura de Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry, 1997), por exemplo – sem vida e sem graça, e poderia se passar em qualquer lugar do mundo, e não necessariamente em Roma. Não que isso seja um problema, afinal, universalizar temas pode ser um tarefa um tanto quanto complicada e até mesmo louvável. Mas, então, qual é a serventia do título do filme?

Para mim, Allen tem total consciência da irregularidade de sua produção, mas por ser um criador e contador de histórias compulsivo, prefere investir a maior parte de sua energia em um grande filme, para depois ser displicente em outro, como uma forma de “tirar férias”. Sim, isso é uma análise extremamente rasa, mas creio que nenhum analista de Allen, até hoje, tenha conseguido entender sua psique na totalidade, e eu, definitivamente, não tenho conhecimento acadêmico para tanto.

Por falar nisso, a psicanálise sempre esteve inserida no contexto de seus filmes, herança de seu – e nosso – mestre, Ingmar Bergman. Diferentemente das homenagens mais óbvias de Gus Van Sant e M. Night Shyamalan a Alfred Hitchcock – sobre as quais falo nesse post – Allen parece ter absorvido a obra de Bergman e regurgitado algo totalmente seu, e relativamente novo.

TOP 5 FILMES DE WOODY ALLEN

5. VICKY CRISTINA BARCELONA (2008)

Penélope Cruz como Maria Elena, Javier Bardem como Juan Antonio e Scarlett Johansson como Cristina, em Vicky Cristina Barcelona

Vicky (Rebecca Hall) e a Cristina (Scarlett Johansson) viajam a Barcelona e lá conhecem o sedutor Juan Antonio (Javier Barden). Vicky, prestes a se casar, repele as investidas de Juan, mas Cristina não. Os dois passam a morar juntos, até que ressurge a ex-mulher de Juan, Maria Elena (Penélope Cruz). Inusitadamente, cria-se um harmônico relacionamento a três.

Dos filmes produzidos fora dos EUA, esse é o meu preferido. Allen acerta no tom mais despretensioso e cômico, e entrega um bom roteiro e arranca de seu elenco ótimas atuações, especialmente de Penélope Cruz – que por esse papel recebeu o Oscar de atriz coadjuvante. Nem Johansson, que eu não suporto, incomoda tanto.

4. DESCONSTRUINDO HARRY (Deconstructing Harry, 1997)

Billy Cristal como Larry, Elisabeth Shue como Fay e Woody Allen como Harry Block, em Desconstruindo Harry

Harry Block (Allen) é um escritor cujas relações amorosas não duram, e que se baseia fielmente em sua vida para criar os personagens e acontecimentos de seus romances, o que incomoda imensamente seus conhecidos, especialmente sua ex-mulher e sua ex-amante. Quando é convidado para uma homenagem a ser realizada na universidade onde estudou, depara-se com o fato de que não tem ninguém que possa convidar. Por não querer enfrentar o acontecimento só, sequestra o filho e contrata uma prostituta para o acompanharem.

Nesse filme, Harry é o alter ego de Allen, tão fielmente criado como o personagem central dos livros que escreve. Para reforçar a brincadeira metalinguística, Allen intercala cenas dos personagens do filme com cenas dos personagens dos livros de Harry, e assim demonstra que há um certo exagero na construção de personagens fictícios, mesmo que baseados em experiências reais, como acontece em seus filmes, principalmente em suas comédias, justamente para incentivar o riso e criar empatia do público por situações aparentemente banais. Pelo roteiro de Desconstruindo Harry , Allen foi indicado ao Oscar.

3. TIROS NA BROADWAY (Bullets over Broadway, 1994)

Dianne Weist como Helen Sinclair e John Cusack como David Shayne, em Tiros na Broadway

David Shayne (John Cusack) é um escritor de teatro que, para financiar sua peça, compromete-se a dar um papel coadjuvante a Olive Neal (Jennifer Tilly), aspirante a atriz nada talentosa que namora o gângster Cheech (Chazz Palminteri). Enquanto Olive reivindica mais aparições, Cheech sugere modificações no roteiro que se mostram muito inteligentes, e David passa a assumi-las como suas, principalmente para ganhar a admiração da atriz principal, Helen Sinclair (Dianne Weist), por quem se apaixona.

Essa é uma comédia mais rasgada de Allen, onde Cusack brilha como o alter ego de Allen – e anti-herói -, de forma deliciosamente irritante. Weist, Tilly e Palminteri – que levaram indicações ao Oscar por seus papéis – não deixam a desejar. Allen também foi indicado ao prêmio, como diretor e roteirista.

2. CRIMES E PECADOS (Crimes and Misdemeanors, 1989)

Martin Landau como Judah Rosenthal e Woody Allen como Cliff Stern, em Crimes e Pecados

Há dois protagonistas no filme: Judah (Martin Landau) e Cliff (Woody Allen). O primeiro, médico e respeitável homem de família, está tendo um caso com a aeromoça Dolores (Anjelica Huston), e a medida que a amante inicia um jogo de chantagem, Judah não vê outra saída, a não ser a sua morte. O segundo protagonista, um cineasta mal-sucedido, está filmando um documentário sobre a vida de Lester (Alan Alda), seu cunhado e produtor de TV, que ele despreza. Durante as filmagens, Cliff se apaixona por Halley Reed (Mia Farrow), produtora associada de Lester.

O filme é livremente baseado em Crime e Castigo, de Fyodor Dostoyevsky, e o primeiro de Allen a abordar esse tema – depois vieram os bons Ponto Final – Match Point (Match Point, 2005) e O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream, 2007).  É um dos melhores dramas/suspenses de Allen, e gosto muito como ele equilibra muito bem as duas histórias, que aparentemente nada tem em comum, e que, na teoria, nunca precisariam se encontrar para fazer sentido. Por esse filme, Allen novamente recebeu indicações ao Oscar, como roteirista e diretor.

1. NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (Annie Hall, 1977)

Diane Keaton como Annie Hall e Woody Allen como Alvie Singer, em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Alvie (Woody Allen) é um comediante. Ele tenta entender onde seu relacionamento cheio de amor com Annie (Diane Keaton) não deu certo, e por meio de flashbacks, passa por momentos cruciais e banais entre os dois.

Segundo o próprio Allen, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa é o primeiro filme sério de sua carreira. Uma comédia (romântica) leve, mas não escrachada. Uma obra que transborda sensibilidade e sutileza, sem deixar de ser engraçada. Uma história comum e universal, filmada de forma brilhante. O filme recebeu os prêmios da Academia nas categorias filme, direção, roteiro e atriz.

E OS 3 PIORES FILMES…

3.O ESCORPIÃO DE JADE (The Curse of The Jade Scorpion, 2001)

Woody Allen como CW Briggs e Charlize Theron como Laura Kensington, em O Escorpião de Jade

2. PARA ROMA, COM AMOR (To Rome with Love, 2012)

Judy Davis como Phyllis e Woody Allen como Jerry, em Para Roma, com Amor

1. SCOOP – O GRANDE FURO (Scoop, 2006)

Scarlett Johansson como Sondra Pransky e Woody Allen como Sid Waterman, em Scoop – O Grande Furo

E você? Que filmes mais gosta e menos gosta de Woody Allen?

8 Respostas para “Série: 5 filmes – Woody Allen

    • Então, para falar a verdade, faz tempo que vi O Escorpião de Jade e Scoop, e como não gostei dos filmes, não sei se saberia falar sobre eles com propriedade. Mas o Para Roma com Amor eu não gosto porque acho bobo, não foca em nenhuma história e nenhuma delas é interessante. Já que era para ser uma “homenagem” à cidade, poderia mostrar particularidades do povo, dos costumes, e não faz isso. Parece que ele pegou um punhado de historinhas meia-boca e filmou sem cuidado e o “amor”do título. Mas uma coisa esses três filmes tem em comum: são comprovadamente filmes menores do Woody Allen, feitos mais para cumprir agenda que outra coisa. Na minha opinião…

  1. Dos melhores eu incluiria ” A rosa púrpura do Cairo” , que tá na minha lista não só de melhores do Woody Allen, mas de filmes favoritos mesmo. Quando a “Scoop” estar entre os piores eu te dou toda a razão, até hoje eu morro de vergonha alheia só de lembrar da Scarlett Johanson tentando ser engraçada.

  2. Gosto muito de “A Rosa Púrpura…” já citado e Manhattan. Mas, no geral, concordo com a lista. No entanto, depois de assistir um zilhão de filmes dele no espaço de um mês, percebi que é o mesmo filme e personagens filmados em diferentes ângulos e por atores diferentes. Por exemplo, “Match Point” (que adoro) revisita “Crimes e Pecados”… Enfim… Tem outro filme que não gostei: Sleeper (1973), embora tenha boas piadas isoladas…

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