Série: 5 filmes – Clint Eastwood

Clint Eastwood, assim como os outros diretores já citados aqui no blog nessa série de 5 filmes, também apresenta filmografia vasta e consistente. E apesar da diversidade de temas e gêneros, os grandes filmes de Clint tem em comum a simplicidade das histórias, que, contadas de forma envolvente, delicada e sensível, tornam-se universais e atingem o público pela identificação que provocam, mesmo que os protagonistas em nada se assemelhem – ao menos aparentemente – a quem assiste aos seus filmes. Além disso, é perceptível a simplicidade da forma, o que de maneira alguma torna seus filmes simplórios. Há, no mundo da moda, quem acredite na máxima “menos é mais”, e no mundo da gastronomia, é comum se dizer que quanto mais simples o prato, ou quanto menos elementos ele contiver, mais difícil é torná-lo delicioso, porque mais claros os sabores se tornam, e mais nitidamente as falhas se mostram. Com um filme não é diferente. Uma superprodução cheia de efeitos especiais, ou mesmo um filme “esteta”, com direção de arte e fotografia primorosos, podem esconder roteiros fracos, direções falhas, personagens insípidos. A obra de Clint vai pelo caminho oposto. Até mesmo suas trilhas sonoras – algumas, de sua autoria – são minimalistas, e, assim, tornam-se nítidas as qualidades que fazem dele um dos grandes diretores da atualidade.

Sua carreira seguiu curso improvável: como ator, nas décadas de 60 e 70, fez sucesso como protagonista de filmes western, como Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più, 1965) e Os Abutres tem Fome (Two Mules for Sister Sara, 1970). Em 1971 dirigiu seu primeiro longa, Perversa Paixão (Play Misty for Me) e em 1973, veio o primeiro filme western, O Estranho sem Nome (High Plains Drifter). Dividido entre atuar em filmes policiais, dirigir westerns e aventuras e compor trilhas sonoras, Clint encontrou não um, mas vários caminhos para sua bem-sucedida carreira.

Listo, aqui, meus cinco filmes favoritos.

5. A TROCA (Changeling, 2008)

Angelina Jolie como Christine Collins, em A Troca

Nesse filme, que se passa na década de 20 e baseia-se em fato reais, Christine Collins (Angelina Jolie) é mãe de Walter (Gattlin Griffith), menino de 9 anos, que desaparece num dia em que a mãe retorna mais tarde do trabalho. Após meses, a criticada polícia de Los Angeles arranja para que um menino da mesma idade e com aparência semelhante a de Walter seja entregue a Christine como seu filho. Ao recusá-lo e enfrentar a polícia, Christine é enviada a um hospital psiquiátrico para se descobrir rodeada de mulheres na mesma situação que a sua.

A Troca recebeu 3 indicações ao Oscar, 2 indicações ao Globo de Ouro e indicação à Palma de Ouro, para Clint Eastwood. Teve, no entanto, recepção morna do público. Gosto bastante da forma como Clint conduz a história, que, a princípio, deveria ter sido dirigida por Ron Howard – o que não ocorreu por questões de agenda. O filme pode não ser brilhante, mas é redondo. O roteiro é bastante interessante e executado de forma correta e Angelina Jolie está bem como nunca esteve.

4. MENINA DE OURO (Million Dollar Baby, 2004)

Clint Eastwood como Frankie Dunn e Hilary Swank como Maggie Fitzgerald, em Menina de Ouro

Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), é uma garota de origem humilde que passa a treinar na academia de Frankie Dunn (Clint Eastwood), legendário e solitário treinador de boxe. Frankie, a princípio, se recusa a treiná-la pessoalmente, mas conforme conhece seus talentos natos, inicia seu treinamento, o que acaba dando origem a um relacionamento que se assemelha ao de pai e filha.

Menina de Ouro é triste. É tão triste e melodramático em alguns momentos que poderia até ser considerado piegas e apelativo. Eu mesma não gostava tanto dele, mas parece que à medida que o tempo passa, suas qualidades ficam mais nítidas, e eu acabei trocando o adjetivo triste por tocante. Como a canção-tema, composta por Clint, que recebeu indicações ao Oscar nas categorias de ator, diretor e filme – levando esses últimos dois, junto com Morgan Freeman como ator coadjuvante e Hilary Swank como atriz.

3. A CONQUISTA DA HONRA (Flags of Our Fathers, 2006)

Ryan Phillippe como John “Doc” Bradley, em A Conquista da Honra

A Conquista da Honra conta a história de seis combatentes americanos que participaram da Batalha de Iwo Jima, durante a Segunda Guerra Mundial. Clint dirigiu também a continuação, Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, 2006), logo pós o término das filmagens de A Conquista da Honra. Esse primeiro filme pretendia contar a batalha do ponto de vista norte-americano, e o segundo, do ponto de vista japonês.

Ao contrário da maioria, gosto muito mais do primeiro filme que do segundo. Não acho que seja pelo fato de que uma história japonesa tenha sido contada por americanos, ou porque, quando assisti no cinema, a projeção foi horrenda e o filme estava fora de foco – o que, por si só, já estragaria qualquer experiência. Acredito que A Conquista da Honra seja um filme mais redondo, completo, e talvez seja justamente por conta da familiaridade de cultura que, convenhamos, se distancia muito da cultura japonesa. Ou seja, independentemente da neutralidade, há sempre as barreiras culturais.

Por esse filme, Clint foi indicado ao Globo de Ouro de melhor direção.

2. AS PONTES DE MADISON (The Bridges of Madison County, 1995)

Meryl Streep como Francesca Johnson e Clint Eastwood como Robert Kincaid, em As Pontes de Madison

Os irmãos Carolyn Johnson (Annie Corley) e Michael Johnson (Victor Slesak), ao organizarem os pertences da recém-falecida mãe, Francesca Johnson (Meryl Streep), descobrem uma série de cartas e diários que revelam que em 1965, ela teve um romance de quatro dias com Robert Kincaid (Clint Eastwood), um fotógrafo que passava a trabalho pela cidade, enquanto seu marido e seus filhos estavam viajando.

As Pontes de Madison é provavelmente o romance preferido de 9 entre 10 mulheres com idade entre 30 e 50 anos. E não é à toa. O filme tem todas as características que um filme popular precisa ter, mas também é de uma delicadeza e beleza tocantes.

Recebeu duas indicações ao Globo de Ouro – filme de drama e atriz, para Meryl Streep – e uma indicação para o Oscar – Meryl Streep.

1. SOBRE MENINOS E LOBOS (Mystic River, 2003)

Sean Penn como Jimmy Markum, em Sobre Meninos e Lobos

Jimmy Markum (Sean Penn), Sean Devine (Kevin Bacon) e Dave Boyle (Tim Robbins), amigos na infância, moram na mesma região de Boston, mas seguiram caminhos diferentes após o sequestro seguido de abuso sexual de Dave, que traumatizou a cada um dos três de formas diferentes. Jimmy é um ex-presidiário, Sean é detetive e Dave, um trabalhador braçal. Quando a filha de Jimmy foge com o namorado e reaparece morta, os três voltam a cruzar o mesmo caminho, mas por motivos e de formas muito diferentes.

O plot vende um filme bom, mas o que Clint entrega é uma obra-prima. Com tantas histórias paralelas, tantos personagens distintos e uma trama predominantemente de suspense, tudo podia dar errado. Mas não dá. Sabiamente Clint se manteve fora do elenco e acredito que assim conseguiu desenvolver melhor os personagens e a direção de atores. Penn e Robbins estão perfeitos.

Por esse filme, Clint recebeu o Golden Coach no Festival de Cannes, indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro.

E você, qual é o seu top 5 Clint Eastwood?

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6 Respostas para “Série: 5 filmes – Clint Eastwood

  1. Incluo Gran Torino sem duvida e com vertex a o top one seria as Pontes.

    Abços e parabéns pelvis optimism posts.
    Aguardo um de series de TV q como disse são compllicadas de escolher.

    Heloisa

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