Ted e outros filmes polêmicos

“Censura, deputado? Aqui pra você!”

Qualquer pessoa que utilize minimamente uma ou mais redes sociais, mesmo que pecaminosamente não se interesse por política ou não leia jornais, está familiarizado com a polêmica que o deputado federal e delegado da PF Prótogenes Queiroz criou em cima do filme Ted, que teve sua estreia brasileira no último dia 21.

Fui assistir a Ted, que estava na lista dos filmes mais aguardados, publicada no final de agosto, e não me decepcionei. Construído como uma espécie de conto de fadas às avessas, Ted (Seth MacFarlane) e John Bennett (Mark Whalberg) vivem situações improváveis e hilárias. Como é comum às criações de MacFarlane, o humor é ácido e exagerado, e há muitas referências pop. Se você ainda não se convenceu, assista ao trailer – a não ser que você queira preservar alguns dos melhores momentos do filme:

Para aqueles que passaram os primeiros dias da semana em Marte, não vou me repetir, mas deixar uma sugestão de texto excelente sobre o ocorrido e o link da notícia de hoje da Folha.

Esse é um blog de listas e não vou chover no molhado discorrendo sobre os atos de um energúmeno. Vou fazer uma lista de filmes polêmicos! Atentem para o fato de que não falarei apenas de filmes que gosto. Na lista há alguns desafetinhos meus, mas acho válido falar também sobre o que não se gosta – inclusive isso está no “perfil da autora” na página inicial do blog e pretendo colocar mais em prática.

POLÊMICOS QUE EU NÃO GOSTO

3. JOGOS MORTAIS (Saw, 2004)

Cary Elwes como Dr. Lawrence Gordon, em Jogos Mortais

Para ser sincera, esse primeiro filme não me desagrada tanto. O nível de violência é alto e o roteiro, apesar de apresentar problemas, satisfaz a sede de filme de terror. A partir do segundo filme da franquia, Jogos Mortais 2 (Saw 2, 2005), no entanto, a coisa muda de figura. Para superar o choque que o primeiro filme causou no público, as situações de tortura foram elevadas ao grotesco, e o roteiro foi posto em segundo plano. O que deveria divertir – sim, eu me divirto com filmes de terror – tornou-se um produto nauseante. E, não se engane; meu estômago é forte. O que me incomoda é ele ser incomodado sem nenhuma recompensa. A partir daí, desisti das outras sequências (foram 5 além desses dois primeiros) e portanto não posso julgá-las.

2. DOGVILLE (2003)

Nicole Kidman como Grace Margaret Mulligan, em Dogville

Dizer que não gosto de Lars von Trier é um eufemismo. A misoginia, prepotência e vaidade que transborda de seus filmes é tão incômoda a ponto de eu conseguir ignorar qualquer qualidade que eles possam apresentar. Porque uma coisa é ser desprezível e ao mesmo tempo talentoso, mas nunca deixar seu caráter transparecer em sua obra. Outra, bem diferente, e o caso de von Trier, é fazer questão que isso fique bem claro para seu público. Assim, quando assisti a Dogville e essa característica ficou clara, passei a ignorá-lo.

Dogville é polêmico tanto por seu conteúdo quanto pela sua forma. Para mim, os cenários não representam nenhuma genialidade. Filmar uma peça de teatro teria o mesmo resultado. E não vejo porque esse distanciamento do realismo ajudaria a contar essa história. O roteiro, por outro lado, eu gosto. Apesar das situações horrendas pelas quais Grace (Nicole Kidman) passa, entendo a história como algo próximo de nossa realidade, apesar do final catártico soar inverossímil. No entanto, a personalidade de von Trier, para mim, continua predominando e prejudicando sua obra.

1. IRREVERSÍVEL (Irréversible, 2002)

Monica Belucci como Alex e Jo Prestia como Le Tenia, em Irreversível

Duas cenas são extremamente polêmicas em Irreversível: a cena em que Pierre (Albert Dupontel) mata o suspeito com um extintor de incêndio e a famigerada cena de estupro de Alex (Monica Belucci). Dou crédito a elas quando tratadas isoladamente. São bem filmadas e assustadoras. No entanto, o filme como um todo não me convence. A história é medíocre e para torná-la um pouco mais interessante, foi contada de trás para frente como se isso nunca tivesse sido feito antes. E não vejo como a violência extrema nos faz levar a algum lugar. São cenas fortes. Apenas isso.

POLÊMICOS QUE EU GOSTO

3. VIOLÊNCIA GRATUITA (Funny Games, 1997)

Arno Frisch como Paul, em Violência Gratuita

O filme ao qual me refiro é o de 1997. O diretor Michael Haneke o refilmou em 2007 e esse remake é o que se chama de “shot for shot”, ou seja, tomada por tomada, o que significa que o roteiro não sofreu alterações e a forma – enquadramentos, movimentos de câmera – manteve-se fiel ao original. Provavelmente foi refilmado apenas para poder ser lançado nos EUA em inglês – como bem sabemos, o grande público americano tem ojeriza a legendas – ao passo que, se você assistiu ao segundo, tudo o que eu disser aqui se aplicará a essa versão também.

Violência Gratuita apresenta um roteiro de estrutura simples, porém complexo do ponto de vista psicológico. A frieza e simplicidade dos atos de Paul (Arno Frisch) e Peter (Frank Giering) chocam justamente por não serem mirabolantes. Ao contrário das torturas criadas por Jigsaw em Jogos Mortais, a de Paul e Peter são assustadoras justamente porque se mostram tão verossímeis, e, portanto, poderiam acontecer com qualquer um, inclusive conosco.

2. A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (American History X, 1998)

Edward Norton como Derek Vinyard, em A Outra História Americana

Neonazismo é um assunto polêmico por si só. Em tempos de pseudo-igualdade de direitos é politicamente correto abominar grupos que disseminam a supremacia branca. A formação desses grupos no Brasil, por mais patético que seja – vista a miscigenação de nosso povo – é fato, mas os números não se comparam aos dos EUA e principalmente aos da Europa. Assim, é bem provável que o filme tenha tido melhor recepção aqui do que lá.

Além da óbvia repugnância gerada pelo grupo liderado por Derek (Edward Norton), por suas crenças, métodos e ações, há no filme cenas de extrema violência que, justamente por não serem mostradas de forma direta – a câmera desvia na hora H, o plano fechado se abre – chocam. Não ajuda o fato de o protagonista Derek estar vivendo um período de redenção. Assim, apesar de seu passado negro, o espectador se sente compelido a torcer por ele. Isso é um bom roteiro – e provavelmente a melhor atuação da vida de Norton.

1. MARTYRS (2008)

Mylène Jampanoï como Lucie, em Martyrs

Martyrs, até onde sei, nunca veio para o Brasil, nem para o cinema, nem para home video, e talvez por esse motivo poucas pessoas aqui entendam o filme como polêmico. Lá fora, no entanto, o filme dividiu opiniões, mas unanimemente é tratado com um dos mais violentos e sanguinários dos últimos tempos. As cenas de tortura, na minha opinião, as mais fortes do filme, realmente são de virar o estômago. Eu mesma, que estou acostumada e gosto do gênero, não consegui tirar o filme da mente por semanas. E mesmo assim, o considero fascinante – depois dessas semanas, acabei assistindo mais umas 4 ou 5 vezes. Ao contrário, no entanto, das chocantes cenas de Irreversível, por exemplo, em Martyrs, apesar da crueza das ações, os recursos dramáticos levam o espectador a comover-se com a história de Lucie (Mylène Jampanoï) e Anna (Morjana Aloui).

É difícil falar do filme sem estragar suas surpresas. O ideal é mesmo encará-lo sem saber muito sobre a história.

E você? O que acha desses filmes? Quais colocaria nas listas?

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16 Respostas para “Ted e outros filmes polêmicos

  1. MARTYRS!!!
    Até gosto de Irreversível mas concordo que é muita firula pra pouco conteúdo. Quanto ao resto concordo com todos. Só adicionaria ai um “Texas Chaisaw Massacre” que é foda e mudou a história dos filmes de terror.

  2. MARTYS! Agradeço a você e ao Marcelo por terem me mostrado esse filme!!

    E o A SERBIAN MOVIE e HUMAN CENTIPEDE?

    Seriam apenas violência gratuita também?

    • Então, Con, não assisti ao A Serbian Film (é Film,não Movie!) . O Marcelo assistiu e disse que é totalmente gratuito, então acabei não me interessando. O The Human Centipede, assisti menos da metade do primeiro e desisti justamente porque não estava achando nem um pouco bom. Você assistiu a esses? O que acha?

  3. – Concordo com todos os polêmicos que você gosta e que você não gosta (Irreversível é um filmeco dispensável, affff), apenas discordo quanto aos polêmicos que você não gosta no quesito “Dogville, mas ia demorar muito pra explicar as razões (uma delas é que, definitivamente, ele não filmou uma peça de teatro).
    – Ah, “Texas Chaisaw Massacre” é muito bom, mas o remake é um lixo. – Martyrs e Funny Games são realmente excelentes. Só que… O diretor Michael Haneke é um cara completo, que filma séries de filmes sobre temas. Funny Games faz parte de uma série sobre “violência e infância”, e dela recomendo Benny’s video (http://www.imdb.com/title/tt0103793/), que é assustadoramente cruel e bom (como Funny Games).
    – Consegui ver ‘The Human Centipede’ todinho, mas considerei totalmente gratuito e ruim como filme. ;(

    Enfim, seu blog é bem bacana.

    • Oi, Mari. Tudo bem?
      Nossa, eu queria muito saber as suas razões para gostar de Dogville! Quem sabe você não escreve a respeito?
      Bem, eu sei que não é uma peça de teatro filmada, apenas foi uma forma de falar sobre os cenários. Mas, enfim, sei que tem muita gente que gosta, e respeito.
      Um ex-professor era fã de Haneke e falava sempre do Benny`s Video. Vou procurar para assistir!
      Eu imaginava que The Human Centipede não era bom mesmo, meu sexto sentido funcionou dessa vez!
      Obrigada pela visita! Vou dar uma olhada no seu blog mais tarde!
      Beijos,
      Juliana

  4. A Outra História Americana é ótimo e junto com A Última Noite vemos as melhores atuações de Edward Norton. Sobre o diretor Lars von Trier, entendo suas críticas, mas seus filmes merecem atenção como o citado Dogville assim como, o mais polêmico ainda, Anticristo e, o meu preferido, Dançando no Escuro.

    • Iuri, A Última Noite é um filme muito bom, e realmente a atuação de Norton é primorosa (mas ainda prefiro ele em Clube da Luta). Dançando no Escuro é talvez o filme que eu goste do Lars, mesmo achando misógino.

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