Serial Killers da ficção (ou não)

Dexter, umas das minhas séries favoritas, como visto nesse post, voltou no domingo retrasado. Após uma temporada fraca, as expectativas não eram altas. O episódio acabou sendo apenas ok. Nessa semana, no entanto, tirando um probleminha aqui e ali – sim, eu estou sendo chata – o episódio foi muito bom. Empolgada com a volta da série, decidi fazer uma compilação com meus serial killers ficcionais preferidos.

ESSE POST CONTÉM SPOILERS DOS SEGUINTES FILMES/SÉRIE DE TV: O Verão de Sam, Wolf Creek – Viagem ao Inferno, Violência Gratuita, Psicose, O Silêncio dos Inocentes, Psicopata Americano, Seven – Os Sete Crimes Capitais, Os Suspeitos e Dexter.

10. DAVID BERKOWITZ – O VERÃO DE SAM (SUMMER OF SAM, 1999)

O elenco principal de O Verão de Sam, já que David, o assassino, mal aparece

O excelente filme de Spike Lee não foca no serial killer, David Berkowitz, que realmente existiu, mas em personagens fictícios que vivem no Bronx, durante o verão de 1977, época em que David foi preso, e que vivem aterrorizados com a possibilidade de cruzarem o caminho do assassino.

David, que ficou conhecido como o Son of Sam, como muitos serial killers, começou a apresentar desvios de personalidade na infância. Seus pais adotivos consultaram alguns terapeutas, mas nada grave foi constatado. Na adolescência, David perdeu a mãe adotiva e, depois de servir o exército, conheceu a mãe biológica, que lhe revelou suas origens. Seu verdadeiro pai o negou, e assim ela o registrou sob o nome de seu ex-marido e pôs David para adoção com uma semana de vida. Isso muito provavelmente contribuiu para a formação – ou destruição – de seu caráter.

David Berkowitz, ou O Filho de Sam

Nada disso está no filme, mas o clima é criado pela sua existência e pelo medo generalizado que se instaurou no Bronx, um dos distritos onde o assassino atacava e as ações dos personagens vão involuntária ou voluntariamente sendo guiadas por esse medo, o que é uma forma interessante de abordar o tema.

9. ORIGAMI KILLER – HEAVY RAIN (2010)

Achei melhor não dar spolier porque esse jogo, apesar de conhecido, não foi jogado por uma infinidade de pessoas, e saber quem é o tal do Origami Killer realmente estragaria o jogo inteiro. Por isso, sem “foto” dele para vocês!

Heavy Rain é um jogo interativo de suspense. Nele, o jogador pode ser 4 pessoas diferentes, simultaneamente: um pai de família que tem seu filho sequestrado pelo Origami Killer, um detetive particular contratado pelas famílias das crianças assassinadas pelo serial killer, um agente do FBI que se junta à polícia local para investigar o caso e uma jornalista. Conforme as escolhas vão sendo feitas, a história vai tomando um rumo. Ele foi criado por David Cage, criador também do excelente Fahrenheit, também conhecido como Indigo Prophecy (2005), e do aguardado Beyond: Two Souls, com lançamento previsto para março do ano que vem.

O jogo é eletrizante. Depois que ele é iniciado, é praticamente impossível largá-lo, tamanho o nível de envolvimento que se tem com a história. Como investigadores, sentimo-nos às cegas tanto quanto os personagens, e a necessidade de saber o desenlace, que na realidade podem ser vários, dependendo de como cada jogador vai conduzir o seu jogo, é semelhante ou mais intensa à que se tem ao assistir a um bom filme de suspense.

O Origami Killer é um serial killer cruel, mas sua história, apresentada a nós apenas no final do jogo, é tocante, mas não há nada mais que possa ser dito sem que se estrague a experiência de jogar Heavy Rain.

8. MICK TAYLOR – WOLF CREEK – VIAGEM AO INFERNO (2005)

Wolf Creek é um filme independente da Austrália, que se baseou no serial killer da vida real Ivan Milat. Ivan foi acusado do assassinato de 7 jovens em New South Wales, na Austrália, dos quais 5 eram turistas. Os corpos das vítimas foram encontrados entre 1992 e 1994, ano em que Ivan foi preso. Eles apresentavam ora múltiplas facadas, ora múltiplos tiros.

Ivan Milat, o assassino dos mochileiros

No filme, Ivan inspirou o personagem Mick Taylor (John Jarratt). Ele segue três potenciais vítimas, Liz (Cassandra Magrath), Kristy (Kestie Morassi) e Ben (Nathan Phillips) sem ser percebido. O trio deixa o carro para explorar o Wolf Creek National Park e quando retorna, no final da tarde, descobre que ele não está funcionando. Mick aparece e oferece consertar o carro do trio em sua casa, e o trio, receoso, acaba aceitando. Os três amigos são dopados com água batizada, para acordarem aterrorizados sob tortura requintada.

Não só a forma como os assassinatos ocorrem, mas como a trama inteira é conduzida, numa tensão crescente, que quase não existe nos primeiros 30 minutos do filme, para dar um tapa na cara do espectador lá pela metade dele, fazem desse thriller de terror uma das boas surpresas do gênero dos últimos anos.

7. PAUL E PETER – VIOLÊNCIA GRATUITA (FUNNY GAMES, 1997)

Falei sobre esse filme no post sobre filmes polêmicos. Para quem não viu o filme ou não leu o post, Georg (Ulrich Mühe), sua mulher Anna (Susanne Lothar) e seu filho Georgie (Stefan Clapczynski) chegam a sua casa no lago e Paul (Arno Frisch) e Peter (Frank Giering), uma dupla aparentemente inofensiva, é apresentada à família por seu vizinho. Por cortesia, a família recebe Paul e Peter em sua casa, até que a dupla passa a tomar atitudes agressivas e faz deles reféns. A família deve obedecer às suas ordens para manter-se viva, o que acaba não acontecendo, apesar de todos os seus esforços. Ao final do filme, entendemos que o vizinho da família foi também uma vítima de Paul e Peter, e vemos a dupla se preparar para o próximo ataque.

Os sádicos jogos impostos pela dupla tem efeito mais psicológico que físico, e esse é o grande trunfo do filme. Violência física é melhor representada pelas artes visuais, enquanto violência psicológica, pelos livros, por exemplo. É claro que essa é uma constatação generalizada. Saramago descreveu a cena de estupro de Ensaio sobre a Cegueira de forma extremamente visual – e, na minha opinião, muito melhor que Fernando Meirelles -, assim como o fez Lionel Shriver em Precisamos Falar sobre o Kevin, na cena dos assassinatos. No caso de Violência Gratuita, a violência psicológica é transmitida de forma primorosa.

6. NORMAN BATES – PSICOSE (PSYCHO, 1960)

Norman Bates (Anthony Perkins) é provavelmente o assassino mais famoso e lembrado do cinema. Também já falei um pouco sobre Psicose nesse post, dêem uma olhada.

Psicose conta a história, inicialmente, de Marion Crane (Janet Leigh), uma secretária que rouba uma considerável quantia em dinheiro de um cliente, foge e vai se hospedar no Motel Bates, à beira da estrada, quando é acometida por uma tempestade. Norman Bates, proprietário do motel, convida Marion para jantar e durante a refeição, Marion escuta Norman discutir com sua castradora mãe. Arrependida, decide voltar e devolver o dinheiro roubado, mas durante o banho é esfaqueada por uma figura indistinta, numa das cenas mais famosas da história do cinema. Norman descobre o corpo e, entendendo ter sido sua mãe a autora do crime, decide livrar-se dele. Não muito tempo depois, um detetive particular chega ao motel à procura de Marion, e é assassinado pelo que parece ser a mãe de Norman, novamente. Lila (Vera Miles), irmã de Marion, acompanhada pelo namorado de Marion, chegam ao motel e ambos descobrem, junto com o espectador, que a mãe de Norman está morta e que ele mesmo é o autor dos crimes. Norman desenvolveu uma segunda personalidade, a de sua falecida mãe, após tê-la assassinado junto de seu namorado, por ciúme. Por não conseguir lidar com a culpa, essa foi a forma de trazê-la de volta à vida. Descobrimos, então, que Marion é a terceira vítima de Norman, e que a “mãe” dele as matou pelo ciúme que supostamente sentia do filho.

5 E 4. HANNIBAL LECTER E JAME GUMB (BUFFALO BILL) – O SILÊNCIO DOS INOCENTES (THE SILENCE OF THE LAMBS, 1991)

Hannibal…

… e Buffalo Bill

Hannibal (Anthony Hopkins) figura sempre nas listas de maiores vilões do cinema, mas Buffalo Bill (Ted Levine), seu coleguinha do filme O Silêncio dos Inocentes não deve nada no quesito método cruel e repugnante.

Hannibal é um ex-psiquiatra, preso por seus crimes canibalísticos, a quem é requisitada consultoria quando o FBI se encontra num beco sem saída durante a investigação do serial killer apelidado de Buffalo Bill, que retira a pele de suas vítimas – sempre mulheres – após matá-las, com a intenção de criar vestes de pele humana, numa forma de expressar sua sexualidade.

O personagem Buffalo Bill, assim como Norman Bates de Psicose, foi livremente inspirado em Ed Gein, que entre os anos de 1947 e 1952, em Wisconsin, coletou dezenas de corpos de mulheres de meia-idade de seus túmulos e colecionou todo tipo de bizarrice, como narizes, vulvas, crânios, máscaras feitas de pele e um cinto feito de mamilos. Sabe-se também que ele foi responsável pela morte de duas mulheres, o que o exclui da categoria de serial killer – considera-se um serial killer aquele que comete três ou mais assassinatos. Ed teve uma infância problemática. Sua mãe isolava a ele e a seu irmão mais velho do resto da comunidade e abusava deles, acreditando que ambos cresceriam como fracassados como seu pai. Sua educação religiosa incluía leituras do Velho Testamento e  lições sobre as mulheres serem todas, com exceção de si própria, depravadas. Quando ela morreu, em 1945, um ano depois da morte de seu irmão – a qual suspeitava-se ter sido cometida por Ed -, Ed viu-se absolutamente só.

Além de Ed Gein, outro serial killer famoso da vida real a inspirar o personagem Buffalo Bill foi Ted Bundy, que confessou ter cometido 30 homicídios em sete estados norte-americanos entre 1974 e 1978. Ted escapou duas vezes da prisão, mas eventualmente foi recapturado, e morreu na cadeira elétrica em 1989. A forma de abordar suas vítimas, sempre mulheres, foi a característica que inspirou o personagem Buffalo Bill. Ted foi descrito por suas vítimas como bonito e carismático; ele as abordava em locais públicos, ora fingindo alguma deficiência ou ferimento, ora personificando uma autoridade, para depois atacá-las em locais mais privados. Ele estuprava e sodomizava suas vítimas, as matava com facadas ou estrangulamento, e praticamente não deixava pistas nas cenas dos crimes. Muitas vezes Ted retornava aos locais onde escondia os corpos para ter relações sexuais com suas vítimas mortas, banhá-las, pintar suas unhas, ou apenas dormir ao seu lado.

Ed Gein

Ted Bundy

Hannibal foi melhor retratado no quarto romance de Thomas Harris, Hannibal – A Origem do Mal (Hannibal Rising, 2006), que deu origem ao filme homônimo, de 2007. No livro, Hannibal e sua irmã tornaram-se órfãos em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Não muito tempo depois, ambos são capturados por simpatizantes do nazismo e a irmã de Hannibal é morta e canibalizada diante de seus olhos. Hannibal consegue escapar e refugia-se num orfanato, onde sofre bullying das outras crianças e abuso do diretor. Aos 16 anos, Hannibal é adotado por seu tio, para mais tarde se tornar médico.

3. PATRICK BATEMAN – PSICOPATA AMERICANO (AMERICAN PSYCHO, 2000)

Psicopata Americano é uma adaptação do romance homônimo de Bret Easton Ellis (1991), dirigido por Mary Harron. Narrado em primeira pessoa pelo yuppie Patrick Bateman (Christian Bale), o filme se passa no final da década de 80, em Manhattan, e gira em torno de Patrick, sua noiva Evelyn Williams (Reese Whitherspoon) e seus colegas de trabalho, todos consumistas superficiais, cujas maiores preocupações são ter o cartão de visitas mais bonito da turma e conseguir reservas nos restaurantes mais badalados da cidade.

A postura de Patrick, assim como a de seus colegas, é mecânica e fria na maior parte do tempo. No entanto, o que lhe parece ser natural, na realidade se revela um controle atingido através de muito esforço. Patrick não está satisfeito consigo e a competição de seu círculo de amizades, que reflete nos outros seus próprios defeitos, incentivada por pequenas atitudes alheias no cotidiano fazem-no perder o controle. A catarse vem na forma de assassinatos, tanto de desconhecidos quanto de pessoas de seu convívio, como o odiado Paul Allen (Jared Leto), às vezes com planejamento, às vezes impulsivos, mas sempre extremamente violentos e cruéis.

O surto psicótico de Patrick pode ser comparado a de outros dois excelentes personagens do cinema. O primeiro é William “D-Fens” Foster (Michael Douglas), de Um Dia de Fúria (Falling Down, 1993), de Joel Schumacher, e o segundo é O Narrador (Edward Norton), de Clube da Luta (Fight Club, 1999), de David Fincher. De formas diferentes, ambos surtam de maneira radical e irreversível por conta dos problemas causados pelo convívio em uma sociedade urbana e contemporânea, onde o trabalho ou a falta de, unidos ao ideal capitalista-consumista e ao crescente e perturbador individualismo servem como combustível para mentes pré-dispostas.

2. JOHN DOE – SEVEN – OS SETE CRIMES CAPITAIS (SEVEN, 1995)

John Doe (Kevin Spacey), como é chamado o assassino sem nome de Seven, é um dos serial killers mais brilhantes da ficção. Seu método cuidadoso e planejamento meticuloso, aliados à sua frieza e inteligência, só deixam pistas intencionais aos detetives David Mills (Brad Pitt) e William Somerset (Morgan Freeman), que as seguem somente para descobrir o próximo assassinato, e nunca a tempo de impedi-lo. Os crimes de John Doe são tão requintados que as mortes seguem um tema – os sete pecados capitais – e cada uma delas é executada à perfeição, com teor de crueldade que deixaria Jigsaw com medo de dormir escuro.

Seven lançou David Fincher – apesar de não ser o seu primeiro longa – de forma gloriosa, bem como consagrou Kevin Spacey em papéis de gênios criminais – depois do excelente Os Suspeitos (The Usual Suspects, 1995), de Bryan Singer, lançado apenas um mês antes de Seven nos EUA. Foi também através de seu trabalho em Seven, que Brad Pitt perdeu o estigma de galã e passou a ser respeitado como ator.

1. DEXTER MORGAN – DEXTER (2006)

Dexter (Michael C. Hall) pode não ser o serial killer mais brilhante da lista, e certamente não é o mais cruel, mas sem dúvida é o mais carismático e amado. Adotado após perder a mãe de forma traumática, Dexter foi treinado por seu pai adotivo, um policial, que desde cedo percebeu sua natureza sociopata, e o ajudou a canalizar suas emoções e desejos de matar de forma a minimizar os riscos e tornar os assassinatos do filho moralmente aceitáveis. Assim, Dexter tornou-se uma espécie de justiceiro, ao mesmo tempo em que trabalha para o Departamento de Polícia de Miami, como analista forense, o que o aproxima dos casos investigados pela polícia e propicia sua caça particular aos criminosos –  suas únicas vítimas em potencial. Além de não matar inocentes, Dexter segue uma série de regras criadas por seu pai para nunca ser pego, e assim consegue colecionar assassinatos sem levantar suspeitas – pelo menos até certo momento.

À medida que a série evolui,  Dexter, que de início se mostra frio e desprovido de emoções e sentimentos em relação a qualquer um – incluindo sua namorada e sua irmã mais nova -, ganha dimensão, e passa a enfrentar situações inéditas que o levam a dilemas nunca antes experimentados e tomadas de decisão que o mudarão de forma irreversível – bem como aqueles a sua volta.

Além de Dexter, a série nos apresentou a diversos outros serial killers, dos quais os que considero os mais interessantes certamente são o Ice Truck Killer (Christian Camargo), que já na primeira temporada se mostrou um dos assassinos mais assustadores da série e, não por coincidência, o irmão biológico de Dexter; e o Trinity (John Lithgow), da quarta temporada, que andava matando havia décadas e, acima de tudo, provocou na série, e em Dexter, provavelmente a maior virada até hoje.

Ice Truck Killer…

… e Trinity

E você? Quais serial killers escolheria?

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