Série: 5 filmes – Kevin Smith

Kevin Smith é referência cinematográfica para nossa geração (nascidos nos meados dos anos 70 ou 80). De origem independente, seus filmes descompromissados, escrachados e cheios de referências pop atraíram o público jovem e nerd da década de 90 – época de sua melhor produção. Após ganhar público cativo,  críticas que se dividiam entre positivas e negativas e o ódio dos cristãos, Kevin Smith iniciou o que se pode chamar de sua segunda fase, quando lançou continuações (ou algo do tipo) de filmes de sucesso, reflexo de sua falta de inspiração. Entre as continuações, foram produzidas comédias dispensáveis, como Menina dos Olhos (Jersey Girl, 2004) e Pagando Bem, que Mal Tem (Zack and Miri Make a Porno, 2008). Recentemente Kevin dirigiu o Tiras em Apuros (Cop out, 2010), uma comédia melhor do que os filmes que vinha fazendo, mas sem nenhum resquício da criatividade que imprimiu no início de carreira. Em 2011 chega o Seita Mortal (Red State), seu primeiro filme de “terror”. Digo terror entre aspas porque o filme é mais do que isso, como vocês lerão a seguir. Depois de tudo isso, fica a dúvida: o que vem em seguida?

4. BARRADOS NO SHOPPING (MALLRATS, 1995)

Shannen Doherty como Rene e Jason Lee como Brodie, em Barrados no Shopping

O segundo longa de Kevin se inicia no dia anterior ao dia em que se desenrolam os eventos de O Balconista. T. S. (Jeremy London) e seu melhor amigo, Brodie (Jason Lee) resolvem passar a tarde no shopping, depois de terem sido chutados por suas respectivas namoradas. Lá, encontram-se com Jay e Silent Bob, que estão armando um plano para destruir o palco do programa de TV Truth or Date, que será gravado lá. T.S. anima-se com a ideia, já que o programa é o motivo do rompimento com sua namorada, enquanto Brodie persegue sua ex, que o abandonou por um gerente de loja.

Barrados no Shopping é totalmente despretensioso, e sua simplicidade, diferente da de O Balconista, mas igualmente inesperada, faz do filme uma comédia divertida e um clássico do gênero “sessão da tarde” – sim, isso é, para mim, um gênero. A propósito, a aparição de Stan Lee é genial!

3. DOGMA (1999)

Ben Affleck como Bartleby, em Dogma

Bartleby (Ben Affleck) e Loki (Matt Damon), dois anjos que foram expulsos por Deus do Paraíso, para retornar, planejam participar do centésimo aniversário de uma igreja em New Jersey, que promete que aqueles que passarem por suas portas nesse dia, serão perdoados por seu pecados e irão para o Céu após suas mortes. Para evitar a destruição da existência, consequência dos atos de Bartleby e Loki, caso fossem bem-sucedidos, ou para pará-los por outros motivos, entram em jogo Metatron (Alan Rickman), a Voz de Deus, Bethany Sloane (Linda Fiorentino), supostamente a última descendente de Jesus Cristo, Jay (Jason Mewes) e Silent Bob (Kevin Smith), dois profetas, Rufus (Chris Rock), o décimo-terceiro Apóstolo, Serendipity (Salma Hayek), uma Musa, Azrael (Jason Lee), um demônio, e os trigêmeos Stygian.

Controverso, o filme causou protestos católicos e algumas ameaças à vida de Kevin. Propositalmente, Kevin enfia o dedo na ferida com gosto, e o resultado é um filme engraçadamente excessivo e excessivamente engraçado, com momentos memoráveis, como quando Metraton revela-se assexuado como um boneco Ken, a luta escatológica, e o aparecimento de Deus em pessoa!

2. O BALCONISTA (Clerks, 1994)

Brian O’Halloran como Dante Hicks e Jeff Anderson como Randal Graves, em O Balconista

Dante (Brian O’Halloran) e Randal (Jeff Anderson) são balconistas de vinte e poucos anos que passam o dia ignorando seus trabalhos para conversar sobre banalidades, jogar hóquei na laje e prestar condolências em um funeral. Um dos assuntos recorrentes é o vazio da vida, a falta de objetivo e as banalidades, coisas que ambos criticam veementemente, mas praticam de forma automática e inconsciente.

Toda essa banalidade foi retratada de forma simples, imposta não só pela intenção de Kevin, mas pelo baixíssimo orçamento de menos de 30 mil dólares, e deu certo. O filme faturou mais de 3 milhões e lançou a carreira de Kevin.

É a primeira aparição do personagem Silent Bob, interpretado por ele, e de Jay, seu companheiro de aventuras, e o início do View Askewniverse, um mundo fictício que aparecerá, depois, em outros filmes de Kevin, bem como série animada para TV, quadrinhos e clipes musicais. Nesse mundo, personagens e atores são retomados, como é o caso de Jay e Silent Bob.

1. PROCURA-SE AMY (CHASING AMY, 1997)

Ben Affleck como Holden McNeil e Jason Lee como Banky Edwards, em Procura-se Amy

Holden McNeil (Ben Affleck) e Banky Edwards (Jason Lee) são melhores amigos quando conhecem Alyssa Jones (Joey Lauren Adams) numa convenção de quadrinhos, onde exibem seu trabalho. Holden interessa-se por Alyssa de imediato, para logo depois descobrir que ela é gay. Os dois cultivam uma amizade, mal-intencionada por parte de Holden, até que o romance eventualmente acaba acontecendo, o que prejudica o relacionamento de Holden com Banky, que se sente enciumado.

Procura-se Amy, semelhantemente a O Balconista, possui longos e elaborados diálogos, que remetem a conversas do cotidiano, e aos dilemas pelos quais passamos na juventude, o que causa imediata identificação do público em relação aos personagens. Assim, mergulha-se em uma história simples, que poderia ser uma comédia-romântica como outra qualquer, mas não é.  O alívio cômico está bem-empregado, e mesmo Silent Bob participa de forma mais séria – e significativa para o desenrolar da história. Jason Lee está, em particular, excelente em seu papel.

1. SEITA MORTAL (RED STATE, 2011)

Michael Angarano como Travis e Nicholas Braun como Billy-Ray, em Seita Mortal

Seita Mortal está empatado em primeiro lugar com Procura-se Amy. Como são filmes praticamente opostos e dificilmente comparáveis, tentei, mas não consegui me decidir.

Inesperadamente, Kevin decidiu filmar uma história de terror. E apesar da expectativa de assistir ao resultado, mesmo duvidando de sua qualidade, por conta do lançamento no Brasil ter sido direto em DVD – um pecado -, esqueci completamente de sua existência. Assim, quando alguns leitores sugeriram seu nome na fanpage do Facebook, revisei a sua filmografia – confesso que não sabia se teria cinco filmes para escolher – e dei de cara com Seita Mortal. Uma rápida visualização do trailer me empolgou, e assisti o filme no mesmo dia.

Trata-se da história de três adolescentes de uma cidade do interior dos EUA que, usando-se de uma rede social, marcam um encontro com uma desconhecida que topa ir para a cama com os três. Acontece que a tal é apenas uma isca usada por uma seita religiosa fanática, que os manterá em cativeiro até que consigam escapar – ou não.

A mim impressiona a forma como Kevin consegue segmentar o filme em três de forma bastante clara e aceitavelmente estranha. Ele se inicia como um típico filme de terror/suspense, mas evolui de forma inesperada, com a chegada de um agente da ATF, Joseph Keenan (John Goodman), e termina deixando a estranha sensação de que fomos manipulados de forma admirável. Pelo menos, essa é a sensação que eu tive. Fiquei tentando achar problemas no filme, mas não consegui, o que me levou a concluir que ele é excelente, mas estranho. Infelizmente não há como dizer muito sobre ele sem estragar as boas surpresas. Portanto, me despeço aqui, como forma de incentivo a vocês checarem por si mesmos.

Mas, e você, que filmes escolheria?

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6 Respostas para “Série: 5 filmes – Kevin Smith

  1. “Procura-se Amy” tenho em DVD pra assistir sempre que dá saudade. Filme lindo… Foi o primeiro que vi com o meu marido, quando ainda éramos duas pessoas em uma relação indefinida, lá pelos idos de 2006. kkkkkk Muito boa a lista, mas eu prefiro Clerks 2 a Barrados no Shopping (De qualquer forma, acho esses dois bem fraquinhos).

    • Procura-se Amy eu já assisti tantas vezes que perdi a conta, Mari! =)
      Ah, eu gosto de Barrados no Shopping! Não acho que chegue perto dos outros filmes da lista, mas acho um bom “começo” para o Kevin!

  2. Estamos em sintonia quanto a Procura-se Amy, Ju (posso chamar assim???). É o tipo de “comédia” romântica que realmente me emociona, por apresentar problemas mais reais, com consequências mais reais também… É lindo. ❤ Agora, quanto a Barrados, não tem jeito… hauahauha

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