Inspirações para o halloween – parte 1: Mascarados do cinema

Trick or treat!

Não sou grande entusiasta do Halloween e sempre esqueço de comprar doces para as crianças da vizinhança. Mas acho que é um bom pretexto para pensar em umas listinhas!

A primeira é com os melhores mascarados do cinema. Melhores porque são icônicos, ou por serem personagens dos quais gosto muito, ou simplesmente porque estão dentro de filmes de respeito.

Aí, se você quiser usar como inspiração para sua fantasia, fique à vontade!

BATMAN, ESPANTALHO, CORINGA, SELINA E BANE – BATMAN BEGINS (2005), BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS (THE DARK KNIGHT, 2008) E BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (THE DARK KNIGHT RISES, 2012)

Já falei sobre a trilogia no primeiro post do blog, e quem leu sabe que sou fã absoluta. Além das inúmeras qualidades dos três filmes, os personagens mascarados estão muito bem caracterizados. Nada de mamilos para a armadura de Batman, nada de orelhinhas para Selina, maquiagem moderna para o Coringa, minimalismo para o Espantalho e máscara utilitária para Bane que deixava o olhar bem à mostra. E se não podemos considerar a maquiagem do Coringa uma máscara, podemos levar em conta a máscara usada por ele no assalto a banco do início do filme que, por sinal, foi inspirada em uma máscara que o Coringa da série de TV dos anos 60 usou em um episódio de 1966. Dêem uma olhada na comparação:

HOMEM-ARANHA, SIMBIOSE E VENOM – HOMEM-ARANHA (SPIDER-MAN, 2002), HOMEM-ARANHA 2 (SPIDER-MAN 2, 2004) E HOMEM-ARANHA 3 (SPIDER-MAN 3)

Gosto bastante dos dois primeiros filmes da trilogia de Sam Raimi. A linguagem dos quadrinhos está bem adaptada, e trata-se claramente de uma direção de fã, o que não acontece no novo filme do aracnídeo, O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spiderman, 2012). A caracterização do herói é correta, mas nenhum vilão salta aos olhos. A armadura do Duende Verde mais parece de plástico. Venom, no entanto, assemelha-se bastante ao que se esperava, apesar da rejeição à escolha do ator Topher Grace para interpretar Eddie Brock, e dos diversos problemas que o personagem – e o filme – tem. Literalmente, Eddie não usa uma máscara – podemos até dizer que a máscara usa ele. Mas desconsiderando-se esse detalhe, afirmo que o Venom é um dos meus mascarados preferidos do cinema – junto com o Aranha.

ROBOCOP – ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO (ROBOCOP,1987)

Peter Weller como Alex Murphy/RoboCop

RoboCop é o tipo de personagem cativante que, independentemente da capacidade de atuação de Peter Weller – que por sinal fez uma excelente participação na quinta temporada de Dexter, como Stan Liddy – na época, ou da falta de sutileza de Paul Verhoeven, diretor do tipo “ame ou odeie”. Tanto que, quando assisti ao filme, ainda criança, não podia deixar de gostar do ciborgue e chorar por ele, apesar de filmes policiais não fazerem necessariamente meu gênero naquela idade.

Vem aí a versão de José Padilha, o diretor dos excelentes Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro (2010), com estreia prevista para fevereiro de 2014. Eu, particularmente, prefiro a versão antiga da armadura, mas aguardo ansiosa por esse remake!

Joel Kinnaman no set de RoboCop, o remake

MÁSKARA – O MÁSKARA (THA MASK, 1994)

Jim Carrey como Stanley Ipkiss/O Máskara

O Máskara é uma espécie de vilão incidental que depois, tomado pelas circunstâncias, torna-se um herói. A máscara que transforma Stanley pertence a Loki, um deus da mitologia nórdica, e adapta-se a quem a usa, grosso modo, como acontece com o Homem-Aranha e o Venom. Assim, sedento por atenção e admiração, Stanley transforma-se numa figura espalhafatosa e carismática, que de início pretende se aproveitar da impunidade que seus poderes proporcionam, mas que acaba trocando de lado quando o seu bom caráter prevalece.

Numa de suas mais emblemáticas performances, Jim Carrey, auxiliado por ótimos efeitos especiais, dá personalidade de sobra ao Máskara, que inspira no público sentimentos contraditórios, mas sempre de forma muito divertida.

DARTH VADER – GUERRA NAS ESTRELAS (STAR WARS, 1977), STAR WARS: EPISÓDIO V – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (STAR WARS: EPISODE V – THE EMPIRE STRIKES BACK, 1980), STAR WARS: EPISÓDIO VI – O RETORNO DO JEDI (STAR WARS: EPISODE VI – RETURN OF THE JEDI, 1983), STAR WARS: EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH (STAR WARS: EPISODE III – REVENGE OF THE SITH, 2005)

Considerado o maior vilão de todos os tempos por muitos, Darth Vader nunca me pareceu assim tão horroroso, mas como também nunca fui grande entendedora de Star Wars, prefiro não arriscar e deixar o link de um texto excelente sobre o personagem.

Do ponto de vista estético, no entanto, é provável que a máscara e a armadura que mantêm Vader vivo sejam, essas sim, as melhores de todos os tempos.

HANNIBAL LECTER  – O SILÊNCIO DOS INOCENTES (THE SILENCE OF THE LAMBS, 1991), HANNIBAL (2001), DRAGÃO VERMELHO (RED DRAGON, 2002) E HANNIBAL – A ORIGEM DO MAL (HANNIBAL RISING, 2007)

Anthony Hopkins como Hannibal Lecter

É a segunda vez que o personagem aparece aqui no blog – a primeira vez foi no post sobre serial killers. Pudera, Hannibal é emblemático e também considerado por muitos um dos maiores vilões da história do cinema. Como ele, sua máscara, que na realidade é uma espécie de focinheira à prova de dentadas mortais, é também bastante emblemática, e reconhecível com extrema facilidade.

GHOSTFACE – PÂNICO (SCREAM, 1996), PÂNICO 2 (SCREAM 2, 1997), PÂNICO 3 (SCREAM 3, 2000) E PÂNICO 4 (SCREAM 4, 2011)

Brincando com clichês e dando origem a novos, Wes Craven (A Hora do Pesadelo) e Kevin Williamson (Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado) criaram a série de terror de maior sucesso da história do cinema. O primeiro filme, Pânico (Scream, 1996), é até hoje a maior bilheteria de filmes do gênero, nos EUA. A máscara usada pelos vários assassinos que encarnaram o Ghostface é uma das mais usadas até hoje em festas à fantasia e de halloween e foi até “homenageada” no filme Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2o00), paródia (leia-se bobagem completa) de Pânico e seus derivados, que também deu origem a uma série, de mais 4 filmes.

DOLLFACE, MAN IN THE MASK E PIN-UP GIRL – OS ESTRANHOS (THE STRANGERS, 2008)

Gemma Ward como Dollface, Kip Weeks como Man in the Mask e Laura Margolis como Pin-Up Girl, em Os Estranhos

Os Estranhos é o tipo de filme para o qual não se dá muita confiança, afinal o velho plot de pessoas perseguidas e torturadas dentro de suas próprias casas não é, de forma alguma, inovador. A maneira como a história é conduzida é que faz o filme funcionar e assustar de verdade. As máscaras usadas pelos vilões, que provavelmente foram improvisadas ou compradas em qualquer lojinha de fantasias, funcionam menos para esconder suas identidades e mais para adicionar terror aos atos, e informam as vítimas e o espectador que não haverá nenhuma pista de suas motivações, como se seus atos fossem resultados de uma banalidade tão grande que qualquer máscara faria o papel.

FRANK – DONNIE DARKO (2001)

Jake Gyllenhall como Donnie Darko, Jenna Malone como Gretchen Ross e James Duval como Frank, em Donnie Darko

Donnie Darko foi um fracasso de bilheteria, mas se tornou um cult. Apesar de conhecido por muitos, a história é bastante complexa – como geralmente filmes com viagem no tempo costumam ser -, e por isso não necessariamente inteligível para a maioria. Confesso que fiquei bastante confusa com alguns aspectos e acontecimentos, apesar de ter gostado, numa primeira assistida, e para aqueles que compartilham dessa condição, deixo o link de uma vídeo bastante esclarecedor. O Bruno Peixoto tem uma série chamada “Nem Fudendo”, onde destrincha filmes priorizando os aspectos narrativos e psicológicos dos mesmos; vale a pena dar uma olhada.

Frank, o homem vestido de coelho macabro, atormenta a vida do protagonista Donnie, e só no final do filme conseguimos entender quem ele é, de onde veio, e o porquê da fantasia esdrúxula, motivo, aliás, que tem tudo a ver com esse post!

ALEX E SEUS “DROOGS” PETE, GEORGIE E DIM – LARANJA MECÂNICA (A CLOCKWORK ORANGE, 1971)

Desnecessário falar sobre Laranja Mecânica porque é um dos filmes mais vistos, cultuados e referenciados da história do cinema. E também porque escreverei ainda um texto somente com filmes de Kubrick.

A caracterização visual dos personagens – figurino e maquiagem – é fantástica, bem como a Direção de Arte, magistral como em qualquer filme de Kubrick, esteta do mais alto nível. O “uniforme” usado pelos rapazes salta aos olhos, mas não por ser extraordinário, e sim por sua simplicidade e estranheza, o que interpretava com perfeição suas personalidades e ações.As máscaras, por sua vez, mostram-se ordinárias, mas esquisitas, ao mesmo tempo, complementando a roupa branca com suspensório e chapéu, bem como seus ideais ultra-violentos.

A SOCIEDADE SECRETA – DE OLHOS BEM FECHADOS (EYES WIDE SHUT, 1999)

No último filme de Kubrick novamente encontramos o apurado senso estético do roteirista e diretor, com Direção de Arte e figurinos deslumbrantes. A sociedade secreta que promove orgias e sabe-se-lá-mais-o-quê é uma privilegiada elite anônima, rica, e de moral duvidosa. Bill Harford (Tom Cruise) é atraído por uma de suas reuniões e consegue adentrá-la mesmo sem ser um membro. Depara-se, então, com um grupo altamente auto-protetor, que o expelirá de lá em um piscar de olhos. Na sequência em que Bill descobre a mansão, suas muitas salas e atividades, o público deslumbra-se visualmente. Para caracterizar a obscuridade, mantos negros com capuzes para os membros, e para manter o teor de segredo, máscaras, essencialmente venezianas. Além das intenções de manterem-se anônimos os membros do clube, as máscaras imprimem luxo e ao mesmo tempo desprendimento.

 DAVID AAMES – VANILLA SKY (2001)

Tom Cruise como David Aames, em Vanilla Sky

Como Bane e Darth Vader, David Aames (Tom Cruise) usa a máscara após um acidente que quase o matou. No entanto, a razão é puramente estética, o que pode não fazer muito sentido à primeira vista, mas, pensando como um homem que tinha tudo e que perde aquilo que era realmente importante, nada mais fácil que tentar se transformar em outra pessoa, com outra atitude, outra perspectiva de vida e outro rosto – mesmo que seja obviamente um rosto falso. A função da máscara é uma analogia à verdadeira função que fez David lidar com sua nova condição. A dificuldade de lidar com a realidade pode ter várias soluções, como o suícidio, por exemplo, e a solução que David escolheu só conhecemos no final do filme: uma máscara de dentro para fora.

E para você? Quais são os mascarados mais legais do cinema?

 

Inspirações para o Halloween – parte 2: Filmes de terror

Inspirações para o Halloween – parte 3: Doces da nossa infância

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