Minhas animações favoritas – Parte 1

Fantasia, a icônica animação de 1940 da Disney

Cresci com os clássicos da Disney que nasceram muito antes de mim, vi a Pixar mudar definitivamente o rumo da animação, assisti ao surgimento dos enormes estúdios DreamWorks Animation e Sony Pictures Animation e percebi a valorização que esse gênero recebeu. Mais que filmes infantis, as animações hoje são vistas como filmes, apenas, comparáveis aos chamados live action (filmes não-animados), oriundos de todos os lugares do mundo, abordando os mais diversos temas, concorrendo aos mais diversos prêmios.

A seguir, listo dez das minhas favoritas (a segunda parte vem em breve). Dentre elas estão filmes que marcaram minha infância, recentes lançamentos com grande potencial de se tornarem inesquecíveis ou apenas filmes dos quais gosto muito, independentemente da técnica utilizada, do tema abordado, ou da origem.

21. OS SIMPSONS – O FILME (THE SIMPSONS MOVIE, 2007)

Em Os Simpsons – O Filme, o poluído lago Springfield torna-se uma ameaça nacional quando Homer (Dan Castellaneta) desfaz-se de forma preguiçosa dos dejetos de seu novo animal de estimação, um porco que recebe o nome de Spider Pig. O então presidente Schwarzenegger (Harry Shearer) decide que um domo de vidro isolará a cidade de Springfield do resto do país, e a população, furiosa com a família Simpsons, provoca sua fuga em direção ao Alasca. Ao saber que a cidade será destruída, a família decide retornar, com exceção de Homer.

Passaram-se seis anos entre o início do desenvolvimento do roteiro até o lançamento do filme. O roteiro passou por centenas de tratamentos, e as mudanças continuaram, inclusive, após o início do processo de animação. A meu ver, valeu a pena. Todas as principais características que fizeram o público amar esses personagens estão lá, bem como as transformações pelos quais eles passam, necessárias em um filme como esse; e algumas piadas são absolutamente memoráveis – particularmente adoro a cena do Spider Pig andando pelo teto e os créditos, com o funcionário do cinema resmungão.

Obs.: Não sei por que motivo, todos os trailers que eu achei no YouTube estão com a incorporação desativada, portanto, se quiserem assistir, sigam esse link.

20. MEGAMENTE (MEGAMIND, 2010)

Megamente (Will Ferrell) é o supervilão que aterroriza Metro City. Assim como ele, o super-herói da cidade, Metro Man (Brad Pitt), é um alienígena que aportou na Terra ainda bebê. Com sua inteligência fora do comum, Megamente elabora o plano perfeito para destruir Metro Man, mas o seu sucesso faz Megamente perceber que não há vilão sem um herói. Assim, ele procurará uma forma de criar um herói nos moldes do falecido, usando, para isso, os genes de Metro Man e uma cobaia nada própria.

Megamente arrecadou a menor bilheteria dos filmes da DreamWorks Animation. Acredito que ele tenha sido ofuscado por Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010), lançado seis meses antes, e com muitas semelhanças, a começar pelo fato de ambos os protagonistas serem supervilões, que acabam se redimindo pela influência de novas pessoas em suas vidas. A meu ver, no entanto, Megamente é um filme muito superior, não apenas tecnicamente, mas no quesito personagens a atuações também. Além de Ferrell e Pitt, estão no elenco Tina Fey, como a repórter Roxanne, por quem Megamente apaixonar-se-á, e Jonah Hill, como o câmera atrapalhado de Roxanne, que aspirará acidentalmente ao próximo super-herói da cidade.

19. SOUTH PARK: MAIOR, MELHOR E SEM CORTES (SOUTH PARK: BIGGER, LONGER AND UNCUT, 1999)

Tudo começa com Stan (Trey Parker), Kyle (Matt Stone), Kenny (Stone) e Cartman (Parker) assistindo ao filme Terrance and Phillip: Asses of Fire e assimilando novos palavrões aos seus vocabulários. O filme torna-se obrigatório entre seus colegas da escola, e mais tarde, entre todas as crianças da cidade e do país. Os pais, horrorizados com a boca-sujisse, decidem agir contra Terrance (Stone) e Phillip (Parker), o que provoca um ataque militar do Canadá contra os EUA. A guerra iminente provoca Satã (Parker) e seu namorado Saddan Hussein (Stone).

Enquanto Os Simpsons satiriza a família norte-americana de classe média, South Park satiriza o país como um todo, incluindo celebridades, políticos, negros, judeus, e não para por aí. A sátira ultrapassa as barreiras territoriais e chega no Canadá e na figura de Saddan Hussein, para depois voltar a si mesmo, o que gera cenas inesperadamente grotescas e hilárias. Ou seja, o clima da série é mantido, e na tela grande é mais assustador e divertido, principalmente em forma de musical.

18. AS BICICLETAS DE BELLEVILLE (LE TRIPLETTES DE BELLEVILLE, 2003)

Em As Biciletas de Belleville, Champion é um garoto triste e solitário, e quando sua avó, Madame Souza, o presenteia com um triciclo, sua vida muda. Champion torna-se um exímio ciclista e quando participa da Tour de France, é sequestrado, junto a outros dois corredores, pela máfia francesa. Madame Souza, então, junto a seu cachorro Bruno e as Trigêmeas de Belleville – famosas cantoras de music hall dos anos 1930 -, partem em busca de Champion.

O estilo incomum e a beleza única da animação renderam-na diversos prêmios e indicações, dentre eles, duas ao Oscar – Melhor Animação e Melhor Música Original. Com poucos diálogos, a história é majoritariamente contada através da música, no melhor estilo pantomime. Em tempos de CG e animações 3D, As Bicicletas de Belleville é um bom exemplo de filme animado que foge do lugar-comum, e encanta crianças e adultos.

17. MARY E MAX: UMA AMIZADE DIFERENTE (MARY AND MAX, 2009)

Mary (Bethany Whitmore/Toni Collette) é uma garota de 8 anos de idade, solitária, que vive em Melbourne, na Austrália, com os distantes pais. Max (Phillip Seymour Hoffman) é um novaiorquino de 44 anos, com síndrome de Asperger e depressão, o que o torna igualmente solitário. Um dia Mary decide escrever para um desconhecido da lista telefônica, e ao acaso escolhe Max. Mary e Max mantém uma bela e sincera amizade por correspondência por anos, sem nunca se conhecerem.

A despeito de A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005), Mary e Max não poderia receber melhor roupagem que a da animação stop motion. A delicadeza da história e o clima fantástico (sem ser) caem bem nos bonequinhos de “massinha” e os cenários, por sua vez, são construídos de forma a disfarçar a dureza das vidas dos personagens, sem nunca tirar-lhes a beleza. A narração em terceira pessoa, por sua vez, cria o clima de fábula da vida real.

16. O ESTRANHO MUNDO DE JACK (THE NIGHT BEFORE CHRISTMAS, 1993)

Jack Skellington (Chris Sarandon) vive junto a monstros, fantasmas e vampiros em Halloween Town, onde todo ano a única celebração é o Halloween. Um dia, acidentalmente, Jack abre um portal que o leva a Christmas Town, um mundo diferente do seu, porém com a mesma estrutura, onde a única celebração do ano é o Natal. Cansado de Halloween Town, e maravilhado com a descoberta, Jack decide tomar o lugar do Papai Noel.

O Estranho Mundo de Jack é o primeiro longa do diretor Henry Selick, também autor de James e o Pêssego Gigante (James and the Giant Peach, 1996) – mistura de live action com stop motion – e Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, 2009) – stop motion. Tim Burton é produtor e roteirista do filme, e posteriormente dirigiu A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005), bastante reminiscente de O Estranho Mundo de Jack – animação stop motion, estrutura de musical, personagens sombrios -, mas com roteiro pouco relevante.

15. BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES (SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARFS, 1937)

Branca de Neve e os Sete Anões é a primeira animação da história do cinema, a primeira americana, colorida e produzida pela Walt Disney Productions. A importância do filme é inegável, tanto pelo pioneirismo como pela qualidade técnica. A geração de hoje possivelmente perceberia, mesmo com olhos destreinados, que se trata de um filme antigo. Para mim, porém, na década de 1980, não passava de um dos meus filmes preferidos, junto com outros clássicos da Disney, tais como Dumbo (1941), Bambi (1942), Cinderela (Cinderella, 1950), Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 1951), A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp, 1955) e A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959), e que poderia tranquilamente se passar por atual. Prova de que a tecnologia está alterando os parâmetros cada vez mais rapidamente e, por outro lado, de que coisas boas são eternas.

14. MEU AMIGO TOTORO (TONARI NO TOTORO, 1988)

No Japão de 1958, o professor Tatsuo Kusukabe (Shigesato Itoi) muda-se com as filhas Satsuki (Noriko Hidaka) e Mei (Chika Sakamoto) para uma casa antiga para ficarem mais próximos do hospital onde sua esposa Yasuko (Sumi Shimamoto) recupera-se de uma doença antiga. Ao explorarem os arredores, as meninas conhecem Totoro (Hitoshi Takagi), uma criatura mágica, descrita por seu pai como uma guardião da floresta. Totoro passa a fazer parte da vida das irmãs, usando seus poderes para auxiliá-las em momentos difíceis.

Meu amigo Totoro é o quarto longa de Hayao Miyazaki, mas o primeiro a ter alcançado sucesso mundial. É possível, no entanto, que ele só tenha ficado realmente conhecido após A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi, 2001) e O Castelo Animado (Hauru no Ugoku Shiro, 2004), já que a Disney foi responsável pelo relançamento em DVD, em 2006. Todos os elementos adoráveis dos filmes de Miyazaki estão presentes: família desestruturada por motivo de doença, morte ou desaparecimento, crianças curiosas, seres fantásticos e reencontros. Com roteiro simples e eficaz, Miyazaki conseguiu sensibilizar o público e imortalizar a figura de Totoro.

13. A BELA E A FERA (BEAUTY AND THE BEAST, 1991)

Bela (Paige O’Hara) vive em uma cidadezinha provinciana e sonha em conhecer um mundo diferente daquele. Seu pai, tido como maluco, é na verdade um inventor meio atrapalhado, que acaba se perdendo e conhecendo o castelo da Besta (Robby Benson), príncipe transformado em uma criatura horrenda, e que vive isolado de tudo e todos. Bela parte em busca de seu pai, chega ao castelo e troca de lugar com o pai como prisioneira da Besta.

A Bela e a Fera foi a primeira animação da história do cinema a ser indicada ao Oscar na categoria Melhor Filme. Concorreu também em mais cinco categorias, das quais venceu em duas: Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção Original. Reassisti ao filme recentemente e posso afirmar que, até hoje, é uma das animações da Disney que mais me emociona, e a música certamente tem uma papel importante nesse quesito. Além de ter sido a primeira animação da Disney a ser adaptado para um musical da Broadway, em 1994, A Bela e a Fera foi relançada em IMAX, em 2002, e em 3D, no início desse ano.

12. PONYO – UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR (GAKE NO UE NO PONYO, 2008)

Brunhilde (Yuria Nara) é uma menina-peixe que vive com o pai mago Fujimoto (Joji Tokoro) e suas irmãs no fundo do mar. Um dia, Brunhilde decide explorar o mundo e pega carona numa água-viva. Ela acaba presa numa garrafa e flutua até uma cidadezinha pesqueira, onde é salva pelo menino Sosuke (Hiroki Doi). Sosuke logo se apega à menina-peixe, e passa a chamá-la de Ponyo. Fujimoto surge, então, para resgatá-la, e Ponyo decide lutar para permanecer como menina com Sosuke.

Se A Pequena Sereia (The Little Mermaid, 1989) tivesse um versão japonesa, Ponyo seria ela. Um ser meio humano, meio peixe, que conhece o mundo terrestre e apaixona-se,  a ponto de desejar desistir de seu mundo, seus poderes e sua família para viver com o amor de sua vida. A grande diferença é que esse amor é na realidade algo muito mais inocente e fraterno do que as palavras traduzidas podem sugerir, implicando que o amor pode ter várias formas, e elas nem sempre são igualmente retratadas no cinema ou onde quer que seja. E a beleza do amor fraterno que Miyazaki costuma abordar é uma das coisas mais belas de seus filmes, e algo que sempre me toca profundamente.

Vejam a segunda parte aqui!

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10 Respostas para “Minhas animações favoritas – Parte 1

  1. ❤ Animação é meu fraco… Acho que nunca faria uma lista dessas… Como fazer uma lista sem incluir TODOS os filmes do Studio Ghibli? E 'Akira', já citado??? E os OVAS de Kenshin (recomendo MUITO!!!). Eu amo o filme 'Fantasia', esse me ensinou a amar música, como música, antes de letra, de publicidade… Amar música! Também tem Dumbo e Pinocchio… Enfim… As animações me tocam demais! Adorei a pauta e a lista! XD

    • Vou assistir a Ovas e depois digo o que achei!
      Fantasia eu assisti muito nova, e não era o momento. Quem sabe revisito em breve?
      Dumbo é demais, um dos filmes mais tristes que assisti quando criança (junto com Em Busca do Vale Encantado e Todos os Cães Merecem o Céu)!
      Pinóquio me marcou muito pois foi o primeiro filme que vi no cinema. Lembro como se fosse hoje! =)
      Obrigada pelos elogios!

  2. ‘Fantasia’, ‘A Noviça Rebelde’ e ‘Mary Poppins’ são filmes que sei que minha mãe com certeza se arrepende de ter comprado em VHS. Eu assistia, e assistia, e assistia uma atrás do outro… hauahuahaauh Meu vício infantil… Não assisti ‘Todos os Cães Merecem o Céu’, vou procurar! Abraço! XD Espero a próxima lista!

  3. Eu comprei o dvd de Todos os cães merecem o céu numa locadora que estava fechando recentemente. Eu adorava quando criança, mas depois de adulta, não sei, tem coisas estranhas demais naquele desenho.

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