Minhas animações favoritas – Parte 2

Esse post traria um top 10 animações, não fosse o fato de eu ter me esquecido de um filme importante que não poderia ficar de fora da lista. Como a segunda metade dela (décimo primeiro a vigésimo lugares) já está publicada, achei melhor não mexer lá – apenas alterei a numeração para encaixar esse faltante aqui. Essa lista, portanto, têm 11 filmes.

11. O REI LEÃO (THE LION KING, 1994)

Simba (Jonathan Taylor Thomas/Matthew Broderick) é o herdeiro do rei leão Mufasa (James Earl Jones). Seu invejoso e inescrupuloso tio, Scar (Jeremy Irons), pretendendo o trono, arma a morte de Mufasa e culpa Simba, o que provoca a sua fuga. Longe do reino, Simba conhece Timão (Nathan Lane) e Pumba (Ernie Sabella), que vivem livremente, e o ajudam a tornar-se um adulto despreocupado e descompromissado. Até o dia em que sua amiga de infância, Nala (Moira Kelly), o encontra acidentalmente e revela que o reino governado por Scar esté em decadência, e que sua volta mudaria os rumos do povo.

A história, influenciada por passagens bíblicas e pelas obras Hamlet e Macbeth, de Shakespeare, eternalizou-se por conta do tratamento humanoide dado aos leões, e consagrou-se como um dos filmes mais tristes da Disney, junto a Bambi (1942) e Dumbo (1941), por exemplo, apesar do final feliz, obrigatório a animações cujo principal público são crianças.

O filme recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia e o Oscar nas categorias Melhor Trilha Sonora, para Hans Zimmer, e Melhor Canção, para a dupla Elton John e Tim Rice, que concorreu com mais duas canções, para o mesmo filme. O Rei Leão deu origem a uma sequência, lançada em 1998, direto para vídeo, O Rei Leão 2: O Reino de Simba (The Lion King 2: Simba’s Pride) e um filme que se passa, na linha do tempo, paralelamente ao filme original, também direto para vídeo, O Rei Leão 3: Hakuna Matata (The Lion King 1 1/2, 2004).

10. O MUNDO DOS PEQUENINOS (KARI-GURASHI NO ARRIETTY, 2010)

Sho (Ryunosuke Kamiki) é um garoto com uma doença cardíaca, que prepara-se para uma cirurgia de alto risco na casa onde sua mãe passou a infância, na companhia de sua tia-avó. Sho descobre pequeninos seres, semelhantes aos humanos, vivendo na casa, e procura manter contato com Arrietty (Mirai Shida). A despeito dos conselhos de seus pais, Arrietty, que recentemente acompanhou o pai numa missão noturna, aventurosamente responde às tentativas de contato de Sho, o que acaba desencadeando uma série de eventos.

O filme é a estreia de Hiromasa Yonebayashi como diretor, mas tem o roteiro do experiente Hayao Miyazaki e de Keiko Niwa, e foi animado pelo Studio Ghibli, o que explica as semelhanças com os filmes de Miyazaki, em sua estrutura narrativa e até mesmo nos traços. Se a tendência do Studio Ghibli é terceirizar seus filmes para novos talentos da casa, torço para que sigam o rumo com esse nível de cuidado. Assim, teremos mais produções com garantia de qualidade.

09. TOY STORY 3 (2010)

Em Toy Story 3, Andy (John Morris) está indo para a faculdade e precisa decidir o que fará com seus antigos brinquedos. Acidentalmente, eles vão parar no lixo, com exceção de Woody (Tom Hanks) e, revoltados, Buzz Lightyear (Tim Allen) e os outros brinquedos, conseguem fugir para uma creche, onde esperam poder divertir novas crianças.

Foi fácil escolher entre os três filmes da série. Pioneiro, Toy Story (1995) fez história, elevou significativamente os patamares técnicos da animação e tornou a Pixar conhecida em todo o mundo. Mas Toy Story 3, com sua trama complexa, cheia de dramaticidade, comicidade e suspense, transmite altas emoções até aos grandinhos, por isso conquistou um lugar nessa lista.

Toy Story 3 foi o terceiro filme a ser indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme (depois de A Bela e a Fera e Up – Altas Aventuras) e recebeu o prêmio nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção, além de ser a animação com maior bilheteria da história.

08. SHREK 2 (2004)

No segundo filme da série, Shrek (Mike Meyers) e Fiona (Cameron Diaz) estão casados e são convidados pelo rei e pela rainha de Tão Tão Distante para o baile de apresentação do casal para a corte. O pai de Fiona, repelido pela figura de Shrek e esperançoso de que possa transformar a filha em humana novamente, conspira com a Fada Madrinha (Jennifer Saunders) e seu filho, o Príncipe Encantado (Rupert Everett), para a separação do casal de ogros.

Como não amar um casal de anti-heróis com um amigo atrapalhado, mas leal? Soma-se ao trio, o Gato de Botas (Antonio Banderas), um personagem tão carismático que ganhou filme próprio – Gato de Botas (Puss in Boots, 2011) -, e uma série de personagens secundários interessantes, o que torna o filme, na minha opinião, o melhor da série. O humor mais escrachado funciona: a caracterização a la Hollywood do reino Tão Tão Distante e as escatologias juntam-se a cenas de luta e ação de forma equilibrada e divertida.

07. MONSTROS S.A. (MONSTERS, INC., 2001)

Em Monstrópolis, monstros vivem de forma semelhante a que vivem os humanos. A Monstros S.A. é a empresa responsável pela produção energética da cidade, e nela, Sulley (John Goodman) e Mike (Billy Cristal) são o par de empregados mais promissor. A energia é gerada através dos gritos das crianças humanas, que são assustadas durante a noite, quando os monstros atravessam portais que conectam os dois mundos. Curiosamente, os monstros temem terrivelmente as crianças, que eles acreditam serem tóxicas. Os negócios, antes promissores, entram em decadência, em consequência da falta de novidade do método utilizado: as crianças não se assustam mais com facilidade. O dono da empresa tem um plano inescrupuloso, e Sulley e Mike terão que agir quando a vida de uma criança está em jogo.

Após impressionar o mundo cinematográfico com Toy Story, de reafirmar seu talento com Vida de Inseto (A Bug’s Life, 1998) e de trazer ao público sua primeira continuação, Toy Story 2 (1999), a Pixar surpreende novamente com a qualidade técnica de Monstros S.A. Os cenários e principalmente as texturas apresentadas são realmente incríveis, mas além disso, o roteiro impecável emocionou e gravou para sempre em nossas mentes os deliciosos personagens Sulley, Mike e Boo (Mary Gibbs). Destaco também os “erros de gravação” divertidíssimos dos créditos.

06. PINÓQUIO (PINOCCHIO, 1940)

Pinóquio (Dickie Jones) é uma marionete criada por Gepeto (Christian Rub), um carpinteiro solitário, que deseja a uma estrela que Pinóquio crie vida. O desejo de Gepeto realiza-se, e uma fada concede a Pinóquio tornar-se um menino de carne e osso caso demonstre bravura, honestidade e generosidade. O Grilo Falante (Cliff Edwards), que se hospedava na carpintaria de Gepeto, é incumbido de tornar-se a consciência de Pinóquio, mostrando a ele a diferença entre certo e errado.

Esse foi o primeiro filme a que assisti no cinema. A experiência foi tão impressionante que lembro como se fosse ontem: tinha por volta de 5 anos e meu pai me acompanhava – caso raro; normalmente era a minha mãe a companhia para filmes. As impressões que o filme me deixou, no entanto, não se dão apenas por conta do ineditismo, mas à força que o filme tem. A moralidade típica dos filmes da Disney não me incomoda, muito pelo contrário. Acredito que tenha sido essencial para a minha formação, mesmo que haja, hoje em dia, métodos mais eficientes. E tenho curiosidade se os vilões e aquele mundo amaldiçoado para onde são levados os meninos travessos ainda me assustaria tanto quanto me assustou na época.

05. PROCURANDO NEMO (FINDING NEMO, 2003)

Marlin (Albert Brooks) é um peixe-palhaço que perde a esposa e todos os ovos num ataque de uma barracuda. Todos, menos um, que se transformará em Nemo (Alexander Gould), o filho super-protegido de Marlin. Temeroso de que algo aconteça a Nemo, Marlin o envergonha em seu primeiro dia de aula, o que leva Nemo a fugir para uma região tida como perigosa para os peixes. Nemo acaba sendo capturado por um mergulhador, e Marlin parte em busca do filho, acompanhado por Dory (Ellen DeGeneres), uma peixe-fêmea de memória curta e boa vontade.

Procurando Nemo foi meu filme preferido da Pixar por muitos anos, e sei que não estou sozinha nessa opinião. É certamente um dos roteiros mais coesos das animações do estúdio, e visualmente, é um deleite. Foi um sucesso de público e crítica, e uma continuação está prevista para 2016.

04. A VIAGEM DE CHIHIRO (SEN TO CHIHIRO NO KAMIKAKUSHI, 2001)

Chihiro (Rumi Hiiragi) e os pais viajam para a casa nova, quando avistam um parque intrigante. O pai de Chihiro decide explorá-lo. Eles atravessam o leito de um rio seco e param para comer. Chihiro deixa os pais para conhecer uma incrível casa de banhos e conhece o menino Haku (Miyu Irino). Haku a aconselha a atravessar o rio antes do pôr-do-sol, e quando Chihiro retorna para os pais, eles se transformaram em porcos e o rio já está cheio, o que a faz perceber que já é tarde para voltar.

A Viagem de Chihiro é um dos filmes mais impressionantes no que diz respeito a concepção visual e direção de arte a que já assisti. Se a trama lembra Alice no País das Maravilhas, a criatividade na criação dos personagens e a riqueza de detalhes de figurinos e cenários definitivamente não se assemelha a nada feito em animação que eu conheça. O alcance de A Viagem de Chihiro foi tão grandioso que John Lasseter, o diretor criativo da Pixar e da Disney, foi encarregado de supervisionar a dublagem americana do filme – onde os diálogos foram traduzidos de forma a combinarem com os movimentos labiais dos personagens -, que é o maior sucesso de bilheterias do Japão de todos os tempos e recebeu o Oscar de Melhor Animação.

03. COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (HOW TO TRAIN YOUR DRAGON, 2010)

Soluço (Jay Baruchel) é a ovelha negra da vila viking onde vive. A vila é constantemente atacada por dragões, que incendeiam as casas e roubam os alimentos, e o líder do povo e pai de soluço, Stoico (Gerard Butler), vive em constante luta contra os mesmos, enquanto Soluço mostra-se frágil e medroso. Como ferreiro da vila, Soluço constrói uma arma que captura um Fúria da Noite, o mais temido dos dragões, que nunca havia sido visto realmente por ninguém. Incapaz de matar o dragão, Soluço o solta e volta a encontrá-lo, mais tarde, ferido e impossibilitado de voar. A partir daí, inicia-se uma aproximação entre o dragão e o menino.

Independentemente da temática, o trunfo de Como Treinar o seu Dragão é a sensibilidade como se tratam os personagens e as relações entre eles. É fácil apaixonar-se por cachorros fofinhos, peixes engraçados e brinquedos que falam, mas dragões esquisitos e assustadores parecem improvavelmente encantadores. O filme, no entanto, consegue, com muito sucesso, a empatia do público em relação aos míticos seres, bem como em relação aos turrões e intransigentes vikings, sem deixar de lado as cenas de ação primorosamente concebidas, e igualmente emocionantes.

02. TÁ DANDO ONDA (SURF’S UP, 2007)

Tá Dando Onda é um falso documentário sobre penguins surfistas. Parece improvável, mas o resultado é sensacional. O filme inicia-se com um panorama da história do surfe nesse mundo de penguins, onde o maior ídolo é Big Z (Jeff Bridges), morto tragicamente durante uma competição. Big Z é a maior inspiração de Cody (Shia LaBeouf), que vive em terras geladas, onde o surfe não é exatamente popular. Cody, considerado o maior talento do lugar onde vive, é selecionado para ser o protagonista do documentário. Uma série de cômicas entrevistas dá lugar, posteriormente, a sua participação no maior torneio de surfe do mundo, onde irá competir com o maior vencedor da época em que se passa o filme, Tank (Diedrich Bader), que não compartilha do espírito leve e descontraído de Big Z. Em sua jornada, Cody conhece a salva-vidas Lani (Zooey Deschanel) e João Frango (John Heder), o único competidor não-penguim do torneio.

Os momentos cômicos dividem muito bem o tempo com os acontecimentos mais sérios e tocantes do filme, e a profundidade dos personagens, bem como a forma perfeita como são abordadas as descobertas e revelações inesperadas, fazem dessa animação uma verdadeira obra-prima, prejudicada, no Brasil, pela tradução do título um tanto quanto patética, e pela divulgação discreta e equivocada. Não se engane: Tá Dando Onda é diferente de qualquer filme sobre pinguins ou falso-documentário a que você já assistiu.

01. WALL-E (2008)

WALL-E é um robô programado para, literalmente, juntar o lixo acumulado num planeta Terra devastado pelo descuido da própria humanidade. Em condições insalubres, a Terra do futuro foi abandonada e os poucos humanos que sobreviveram vivem em uma nave estelar, a espera de uma milagrosa reviravolta. WALL-E vive sozinho na Terra, onde continua exercendo sua função, praticando sua própria manutenção, através da troca de suas peças por partes de outros robôs de sua espécie que deixaram de funcionar. Coletando todo o tipo de lixo, WALL-E desenvolve uma sensibilidade humanóide, e cria apego ou apenas torna-se curioso em relação a coisas como filmes e objetos sem importância, bem como seu bicho de estimação, uma resistente e leal barata. Tudo muda com a chegada de Eva, um robô que aterrissa para a busca de um sinal de vida, o que alimentaria as esperanças dos humanos afastados.

Na minha opinião, WALL-E é a obra-prima da Pixar, disparado. Muitos apontam para a quase inexistência de diálogo em mais da metade do filme como algo dificilmente apreciável por um público infantil ou, até mesmo, um público acostumado a enlatados. Verdade. O fato é que uma boa história pode ser contada em silêncio, ou com muito barulho, através de humanos, bichos ou robôs, com ou sem música, com orçamentos modestos ou milionários, e não se engane, essa superprodução é lotada de recursos técnicos que a auxiliam e muito na produção de emoções, mas quando um bom roteiro cai nas mãos de gente que sabe o que está fazendo, não há como errar.

E você? Quais são as suas animações favoritas?

4 Respostas para “Minhas animações favoritas – Parte 2

    • Up é legal, e, sinceramente, numa lista de 20 (e um) é difícil colocar tudo o que gosto… Mas… O problema de Up, para mim, é que não é memorável. O início do filme é incrível, mas a qualidade cai na segunda metade. Na minha opinião!

  1. Ah, realmente, depois de Wall-e não tem pra ninguém. Mas numa lista minha eu também incluiria A pequena sereia, o grande marco do renascimento da Disney. E os filmes do Don Bluth durante os anos 80, Fievel e etc.

    • A Pequena Sereia é um marco, foi muito importante a volta da Disney para a nossa geração, mas não me lembro do filme com tanto carinho como me lembro dos que citei (O Rei Leão e A Bela e a Fera). Já os filmes do Fievel realmente foram muito difíceis deixar de fora!

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