Os melhores filmes (de outros anos) que vi em 2012

Dando continuidade à série de listas de início de ano (ignoremos o fato de já estarmos no início de abril, por favor), segue a lista dos melhores filmes que vi em 2012, lançados em outros anos.

7. O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE, 1974)

Texas

Sinopse: Sally (Marilyn Burns) e seu irmão Franklin (Paul A. Partain) viajam com três amigos para investigar uma denúncia de vandalismo e roubo do túmulo de seu avô. No caminho para a antiga casa do avô, os amigos decidem dar carona a um estranho sujeito, que é expulso pouco tempo depois. Sem gasolina, eles param na casa enquanto aguardam o posto próximo receber abastecimento, mas não esperam encontrar um violento assassino.

Por que está nessa lista: O Massacre da Serra Elétrica é um dos melhores filmes de terror que já vi. A perfeita construção de clima e a brutalidade crua dos fatos são provavelmente as duas características que o afastam da maior parte dos filmes de terror, especialmente os produzidos na atualidade, que abusam de trilhas sonoras exageradas, close ups sangrentos e temáticas sobrenaturais, e certamente o que o faz tão assustadoramente verossímil.

6. MULHERES – O SEXO FORTE (THE WOMEN, 2008)

the_women

Sinopse: Mary Haines (Meg Ryan) é uma estilista que vive uma confortável vida de casada no subúrbio luxuoso de Connecticut. Sua melhor amiga, Sylvie Fowler (Annette Bening) descobre que seu marido está tendo um caso com uma balconista de uma loja de departamentos na Quinta Avenida, em Nova York, mas decide guardar segredo. Quando a própria Mary descobre a traição, Sylvie e outras duas amigas farão o possível para apoiá-la.

Por que está nessa lista: A sinopse não diz muita coisa, mas lembra a série da HBO, Sex and The City. Se não fosse o Netflix e uma tarde ociosa e solitária, provavelmente eu nunca teria investido meu tempo nesse filme. E sairia perdendo! O roteiro despretensioso mostra-se eficiente e com a profundidade adequada, e as performances não são espetaculares, mas não ficam devendo. É, provavelmente, um filme que agradaria mais às mulheres. Mas, chick flick ou não, Mulheres – O Sexo Forte (por favor, ignore esse título brasileiro horrendo) aborda temas femininos recorrentes de forma interessante e divertida. Uma curiosidade: nenhum ator masculino (nem figurante) aparece no filme, com exceção de um bebê, que terá sua presença masculina justificada no decorrer dos acontecimentos.

5. CAPOTE (2005)

capote

Sinopse: Baseado na biografia homônima de Gerald Clarke, o filme aborda um período da vida do escritor Truman Capote, na época de sua pesquisa sobre os acontecimentos que ele abordou em seu romance histórico A Sangue Frio (1966).

Por que está nessa lista: Capote é o primeiro longa de ficção do diretor Benett Miller, que dirigiu em 2011 o excelente O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball). Em ambos, o trabalho de direção é nitidamente talentoso, o que certamente teve boa influência sobre o trabalho dos atores protagonistas, Philip Seymour Hoffman – merecidamente ganhador do Oscar de ator por esse filme – e Brad Pitt, respectivamente. Apesar da inexperiência, Miller, assim como o roteirista Dan Futterman, estreante nesse filme, fazem uma boa dupla, e constroem um filme coeso, com bom ritmo e nada inovador, no que diz respeito à linguagem cinematográfica, mas que funciona muito bem no formato clássico.

4. SINÉDOQUE, NOVA YORK (SYNECDOCHE, NEW YORK, 2008)

synecdoche

Sinopse: O diretor de teatro Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), apesar de uma carreira respeitável, sente-se incompleto e enxerga a vida com apatia. Após a partida de sua esposa e filha para Berlin, Caden recebe uma significativa quantia em dinheiro através do programa MacArthur Fellowship, para investir em seu trabalho. Caden, então, investe, além do dinheiro, seu trabalho e sua alma em um projeto elaborado e complicado.

Por que está nessa lista: Assim como em Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999), Adaptação (Adaptation, 2002) e Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of The Spotless Mind, 2004), filmes que Charlie Kauffman roteirizou, em Sinédoque, Nova York, filme também roteirizado por ele, e no qual ele estreia como diretor, a loucura, ou a iminência da loucura – seja patológica ou apenas momentânea, desencadeada por fatores emocionais internos ou externos -, é tratada de forma (quase) surrealista. Ao invés de uma abordagem lógica e psicológica de seus personagens perturbados, Kauffman prioriza a visão poética dos mesmos, criando um mundo fantástico que normalmente serve como válvula de escape para eles, mas que eventualmente torna-se tão prejudicial quanto a própria loucura. Sinédoque, Nova York é um filme profundo, intenso e sincero, e nunca cai no lugar comum. Falar mais sobre o filme estraga a experiência.

3. A PELE QUE HABITO (LA PIEL QUE HABITO, 2011)

la piel que habito

Sinopse: O cirurgião plástico Robert Redgard (Antonio Banderas), desenvolveu um tipo de  pele sintética que substituiria a pele humana em casos de queimaduras extensivas, por exemplo. De passado obscuro, Robert conduz sua pesquisa e experimentos em sua própria residência e utiliza para isso uma cobaia humana, Vera Cruz (Elena Anaya).

Por que está nessa lista: Pedro Almodóvar retrata emoções de forma bastante particular, e eficiente, diga-se de passagem. Em A Pele que Habito não é diferente. A história, revelada aos poucos através de flashbacks, surpreende por sua perversidade – onipresente na obra de Almodóvar – mas, ao mesmo tempo, por sua humanidade. Almodóvar extrai o que há de mais belo e também o que há de mais feio no ser humano, sempre mostrando que esses dois lados coexistem. Um pouco fatalista, como não poderia deixar de ser, esse filme surpreende por sua beleza feia, e por sua feiúra bela, apoiados pela direção de arte magnífica – e menos escandalosa que de costume – e pelo elenco brilhante.

2. O FANTÁSTICO SR. RAPOSO (FANTASTIC MR. FOX, 2009)

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Sinopse: Baseado no romance infantil homônico de Roald Dahl, o filme conta a história de Sr. Fox (George Clooney), uma raposa que deixa a vida de ladrão de aves após ser capturado com sua esposa – e após ela o informar que eles terão um filho. Dois anos após a captura, Fox e a esposa, Mrs. Fox (Meryl Streep) vivem com o filho Ash (Jason Schwartzman) em um buraco, mas Fox não está contente com seu estilo de vida, e os instintos de caça ainda o perturbam.

Por que está nessa lista: Se eu tivesse assistido a esse filme antes, O Fantástico Sr. Raposo certamente entraria na minha lista de melhores animações, publicada anteriormente nesse blog (parte 1 e parte 2). E se um dia eu fizer uma lista para o Wes Anderson, roteirista e diretor do filme, ele também fará parte dela. As marcas da filmografia de Wes Anderson, como o desenvolvimento de personagens, decupagem, direção de arte e fotografia estão bem aplicados aqui. Assim, o que poderia ser apenas uma adaptação de uma história infantil torna-se um filmaço com F maiúsculo. O trio de atores principais, com destaque para George Clooney, está absolutamente sensacional. A direção de arte é precisa e encantadora, bem como os personagens que rodeiam o Sr. Raposo, especialmente o filho Ash, o sobrinho Kristofferson (Eric Chase Anderson) e Kylie Sven Opposum (Wallace Wolodarsky).

1. NAMORADOS PARA SEMPRE (BLUE VALENTINE, 2010)

bluevalentine

Sinopse: Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) são jovens e seu casamento está em crise. Através de flashbacks, conhecemos a história do casal, como se conheceram e como chegaram a esse ponto de suas vidas.

Por que está nessa lista: Esse filme já apareceu no blog, na lista dos atores mais promissores de Hollywood e na lista das atrizes mais promissoras de Hollywood, e foi certamente a surpresa mais agradável do ano passado. O diretor e co-roteirista Derek Cianfrance havia dirigido, além de séries de documentário para TV, o desconhecido longa de ficção Brother Tied (1998), e foi Namorados para Sempre que trouxe a ele certa notoriedade. Claro, uma premissa simples, mas universal, tratada com seriedade e sutilezas, e protagonizada por esse casal de atores arrebatador não poderia passar despercebido. Derek recebeu dois prêmios (Cineasta Mais Promissor pelo Chicago Film Critics Association Awards e Diretor pelo Göteborg Film Festival) e Michelle e Ryan receberam um cada, além de diversas indicações (Melhor Atriz pelo San Francisco Film Critics Circle e Melhor Ator pelo Chlotrudis Award).

2 Respostas para “Os melhores filmes (de outros anos) que vi em 2012

  1. Adorei Namorados pra sempre, e chorei até desidratar. Achei um retrato muito honesto de como os relacionamentos realmente vão se acabando. Sem mocinhos nem vilões, só pessoas normais. Também gostei bastante de A pele que habito, e mesmo com o Almodóvar esticando a corda do bizarro quase até o limite, ele se saiu muito bem.

    • Exato! Namorados para Sempre é isso mesmo! E em A Pele que Habito, Almodóvar mostra que é mestre, porque independentemente do tema, história, ou forma, extrair emoções genuínas dos personagens – e, consequentemente, dos espectadores – não é algo simples de se fazer.

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